LUIZ GERALDO MAZZA
A voz de Deus
Embora alguns moradores do Centro Cívico achem que a voz de Deus é a de um dos principais inquilinos da área, ela, a ''vox populi, vox Dei'', acabou se impondo no domingo. Em primeiro lugar há um reequilíbrio de forças em todo o Brasil, indispensável à democracia, e capaz de neutralizar os arreganhos da soberba e da prepotência que enunciavam pretensões hegemônicas.
Se foi bom para o Brasil as derrotas petistas em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba, mormente na capital gaúcha porque derrubou o poder dinástico, que no Paraná não se deixou afetar, a vitória do PT em Londrina teve sentido de catarse: evitou que o populismo rasteiro retornasse ao mesmo tempo em que mostrou a Micheleti que a sua vitória se inspirou num ato de saúde pública. Se Belinati ganha todo o esforço da sociedade despendido no movimento que o apeou do poder teria sido perdido. Uma razão civilizatória impôs a única saída.
Também nesse caso de Londrina é de esperar-se que o PT não se deixa dominar pela soberba. O primeiro turno mostrou que a cidade não tem uma visão muito satisfatória dessa administração. Um pouco de humildade não faz mal.
Na vitória, já dizia o filósofo, há muitos pais. Na derrota quem perde é órfão. O que tem de aspone achando que ganhou a eleição para Beto Richa em Curitiba é de lascar. A última ofensiva do PT-PMBD era mal respondida até que a pesquisa do instituto da cunhada foi desmoralizada, o Ibope mostrou números confiáveis e, antes disso, Beto deu uma surra no debate com Vanhoni. Mais um detalhe: a melhor peça publicitária do final foi o colóquio de Osmar Dias com Requião, a inteligência se sobrepondo à prepotência e a ingratidão.
BIZARRICE Domingo pela manhã, ainda em proselitismo, Requião afirmou na CBN Curitiba que os especialistas Rogério Bonilha e Bruno Lopes, donos de institutos, lhe haviam assegurado que Vanhoni estava colado em Beto Richa e o superaria. Não disse e nem lhe foi perguntado se a cola era superbonder.
AXIOMA Alvaro Dias, dominado pelo rancor, tantas são as gozações que sofre do governador, na festa da vitória de Beto Richa, chamou Requião de ''Napoleão de hospício''. Essa expressão foi usada antes por Hélio Duque e lhe rendeu um processo, no qual Alvaro funcionou como testemunha de defesa.
GLOSA Detentores de cargos em comissão foram humilhados pelo governo no esforço da ''virada'' que não houve: era patético ver pessoa adultas, de gravata e terno, agitando bandeiras nas esquinas. Dá voto contra na certa.
EPIGRAMA Certos políticos estão mais aptos a chorar do que a sorrir porque o botox atrapalha os movimentos faciais.
FOLCLORE Não sei bem se ocorreu em Amaporã ou Tamboara. Era inauguração de uma obra a que deveria comparecer o governador Jaime Canet Júnior. O prefeito, no palanque embandeirado, começa a saudar as autoridades estaduais e municipais e numa voz emocionada não esquece de dirigir-se à ''excelentíssima banda da cidade que tanto nos orgulha''. Mais superlativa do que essa só a do Cerimonial de Moisés Lupion, em 1956, dirigido por oficial da Aeronáutica, que mandou expediente ao ''Excelentíssimo Reverendíssimo Arcebispo Metropolitano e Excelentíssima Reverendíssima Senhora''.
CROMO E o pelo grudado ao sabonete é a sua luminosa impressão digital. É mais fácil tirá-la da mente do que isolá-lo como coisa viva na massa escorregadia.
AFORÍSTICO Depois da eleição é que aparecem os profetas do fato consumado e não há como deixar de ouvi-los, tantas são as provas de aguda sabedoria.





