LUIZ GERALDO MAZZA
Fez bem o Rubens Bueno, do PPS, ter adotado a postura de independente e de forma radical nesse segundo turno. Além de ficar ajustada à sua condição de ''alternativo'' à dicotomia PT-PSDB não seria fácil manter a tal da legenda do ''voto limpo'' se acabasse se aliando a alguma das coligações e que, em termos de sujeira, quase se igualam nas baixarias, torpezas e armações.
Tivemos uma olimpíada de mau caráter, isso sem falar na pobreza de conteúdo das programações levadas ao rádio e à televisão. O fato é que apesar do tempo generoso concedido aos disputantes a cidade não foi discutida em sua abrangência metropolitana e os dois se revelaram muito aquém do que se espera em termos dessa prometida, mas não demonstrada, renovação.
A propósito que renovação o PMDB no governo, à exceção de José Richa, teria desencadeado no Paraná? Ela seria capaz de configurar o antimodelo ao que vinha sendo feito ou simplesmente se tornou uma continuidade linear de todos os experimentos anteriores? Em Curitiba, onde o PMDB teve prefeito com Maurício Fruet e na sequência Roberto Requião, isso não é visível. Houve apenas o discurso e alguns esforços iconoclásticos, isolados, para destruir o ''modelo'' e que felizmente foram contidos. Chamar Lerner de ''decorador'' de cidades ou atribuir à Cidade Industrial a condição de campo de golfe das transnacionais, como fez Requião, não passou de contribuição retórica e de gosto discutível. O mérito de Requião foi ter contribuído, quando no governo, o primeiro, para acertar a dívida da Cidade Industrial, pela qual se batera também o seu antecessor, Alvaro Dias. Infelizmente esse senso de continuidade não é a regra.
Se uma campanha eleitoral fosse marcada pelo ''construtivismo'' obviamente perderia graça por ser menos emocional. Mas há limite para tudo e o lixo que predominou na maior parte deste segundo turno foi a evidência de que ganhamos o mínimo em educação cívico-política e o máximo em esperteza e oportunismo.
BIZARRICE O Governo Lula é a cópia, piorada, porque mais ortodoxa em relação à obediência ao FMI, de Fernando Henrique. Naquele, o ministro Serra dissentia da linha de Malan e no atual vemos o racha entre Petrobras e Banco Central.
AXIOMA ''Ferreirinha'' mudou de nome, mas acabou aparecendo. Estava demorando.
GLOSA A chance de o Ibope limpar a barra é hoje. Se tiver um desempenho como o do primeiro turno será difícil salvar a imagem do instituto mais importante.
EPIGRAMA Funcionário, comissionado ou não, cooptado para votar em quem o governo deseja, deve fazer o contrário como forma de reeducá-lo.
FOLCLORE Quando apareceu aquela incrível pesquisa da empresa da cunhada do governador e esposa do coordenador da campanha do PT-PMDB, Maurício Requião, o jornalista Eduardo Schneider lembrou da clássica poesia de Olavo Bilac: ''Ora (direis) ouvir estrelas! Certo perdeste o senso!''. Como o nome da agência é Senso e o símbolo do governo Requião a constelação do Cruzeiro do Sul na posição em que estava em 1º de janeiro de 2003, dia da sua posse, a analogia teve toda procedência. Se a pesquisa acertar, dir-se-á que estava escrito nas estrelas e que a Senso fez a leitura certa.
CROMO A poeta Adalgisa Neri dizia que a intimidade mata o amor.
VINHETA Em cada casa um desfibrilador hoje na hora do Ibope.
AFORÍSTICO Se mil votos valessem trezentos reais, como sugere essa história com o vereador Yamada, o custo unitário seria de 33 centavos. Baixaria também baixa custo, como se vê.





