LUIZ GERALDO MAZZA
Covardia neutral
Silogisticamente se pode dizer, com a frase do governador em Londrina, que se os que ficam neutros são covardes em disputas eleitorais os que tomam partido seriam o oposto disso, corajosos, participantes e engajados. Se você tem para escolher entre o ''coisa ruim'' e o ''chifrudo'', a neutralidade não é apenas menos constrangedora, como também necessária.
No fundo dessa resistência de parte apreciável do público em optar por aquele que acha o ''alternativo'' como se no caso concreto de Rubens Bueno, também diretamente alcançado pelo anátema de Requião, é a evidência da falta de quadros políticos, aliás mostrados na última eleição para o governo estadual em que se habilitavam dois ex-governadores e que no primeiro turno foram clara e objetivamente rejeitados pela maioria dos votos válidos, já que juntos não passaram de 45%.
Tenho recomendado e essa tem sido a minha posição também como eleitor que quando o quadro for melancólico, e isso se dá quase seguidamente, e de difícil escolha que se opte pelo ''menos ruim''. Parece que não haveria dificuldade na opção tanto em Curitiba como nas demais cidades de porte com segundo turno. Mas não deixo de reconhecer nos que optam pela anulação do voto ou por fazê-lo em branco um direito cívico, inquestionável, às vezes até uma forma pedagógica de educação política.
Também não se pode atribuir um nível maior de inteligência, sinceridade e de coragem aos que se engajam e adotam uma das candidaturas postas. O voto do pau mandado é pior do que o do ''neutro''. Da mesma forma o voto que busca formas de contraprestação como emprego ou outro tipo de vantagem não configura algo como um herói de balada. Quem sabe de ''bolada''.
Obviamente o governador está se referindo a Bueno que detona o PT-PMDB na Capital por sua imprudência e açodamento em utilizá-lo de forma sinistra para os seus intentos tentando capturar o seu volátil eleitorado, feito justamente daqueles que ora fundamentam a sua neutralidade. Pode, no entanto, se referir aos muitos indefinidos de Londrina que têm todas as razões para adotar uma das candidaturas e não o fazem. Lá há um fato maior representado pela presença de Belinati na competição em função do histórico recente de sua cassação. Quanto maior a histeria mais ele se beneficiará, da mesma forma que se novas demandas ocorrerem o vitimalismo o privilegiará. Se um candidato é o presente que não agrada, o outro é o passado que constrange. Não é difícil apontar o menos ruim e mesmo que isso não signifique, necessariamente, um futuro melhor.
BIZARRICE Papel higiênico jogado no estádio, o STJD lança bosta no ventilador.
AXIOMA Essa experiência do Atlético mostra uma velha deformação nossa: somos uma autarquia, falamos para dentro e levamos a pior sempre. O Coritiba quase acabou na 3 Divisão por causa de um torcedor que invadiu o campo.
GLOSA Outra vulnerabilidade: o Atlético Paranaense tem no Thiele, o médico, uma das maiores autoridades em cirurgia de joelho e não o ouve, seguindo a orientação do procurador, no caso do jogador Dagoberto. É o clube de joelhos às conveniências dessa etapa mercantil.
EPIGRAMA Desde a eleição de 2002 persistem os fatos políticos dominantes que vão do pedágio aos transgênicos.
FOLCLORE Requião queria uma campanha parecida com a de uma rinha de briga de galos e o Duda Mendonça a desejava ''soft''. Duda foi preso por desejar buscar a descompressão vendo briga de galo. Pelo jeito para ele eleição, tanto a daqui como a de São Paulo, é ''galinha morta''.
CROMO Você no trapézio volante guindado ao arco íris.





