Justiça vapt-vupt

No cenário eleitoral a liturgia jurídica há de ser diferente com a velocidade dos atores da Fórmula 1. E não há lugar para uma reflexão em cima da filosofia popular em torno da pressa como inimiga da perfeição. A preocupação em manter o equilíbrio dos pratos da balança é filtrada pela paixão das partes alinhadas na disputa, ainda mais quando reduzidas ao segundo turno.
Uma das razões arguidas por Requião, a de que o juiz que aplicara a sanção nele e na TV Educativa, a de que se tratava de matéria julgada, no redemoinho dos processos perde o sentido. Anteontem um juiz, em agravo, que autorizara a divulgação da pesquisa Brasmarket, mudou o seu convencimento. É a prova de que a rapidez das informações e dos fatos exige dos comitês e respectivas assessorias jurídicas uma concentração fora do comum. Se isso acontece do lado dos atores da disputa esse sentido de quase ubiquidade, o estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, acaba alcançando a própria Justiça.
Não há lugar para divagações aprofundadas em torno de fatores epistemológicos em tal cenário e a degradação sofrida pelos institutos de pesquisa, a maior justamente no Ibope durante o primeiro turno, obrigou a Justiça a valer-se de salvaguardas excepcionais que, por sua natureza, colidem com as regras formais em favor do que seus intérpretes entendem como substanciais. Curitiba tem sido, em função dessas decisões, uma das capitais em que mais se tem negado a divulgação das sondagens, um eleitorado sem bússola.
Hoje deve sair o Ibope e que vem aureolado com o seu péssimo desempenho no primeiro turno, não apenas em Curitiba, já que em Cascavel, por exemplo, não se detectou, em momento algum, a vitória de Lísias, do PPS, derrubando os tidos como favoritos. Isso sem falar no claro prejuízo sofrido por Rubens Bueno na Capital, cujos indicadores pareceram deprimidos demais antes da reta final ao ponto de não alcançarem os dois dígitos, fator que impediu o voto útil em ''arrastão'' que poderia levá-lo ao segundo turno.
Em algumas coisas evoluímos demais como na informatização, cujo ''know-how'' estamos até exportando e dando uma lição nos ''Esteites'', mas no que diz respeito ao plano institucional há muito por fazer, tanto na questão das pesquisas como na do problema ligado à prestação de contas dos comitês. Igualmente, mudanças radicais na legislação (o voto distrital misto, uma delas; a cláusula de barreira, para reduzir a laranjice dos partidos de aluguel, outra) se fazem mais do que necessárias. A tese do financiamento público, defendida também pelo presidente do TSE, Sepúlveda Pertence, não me parece que evitaria a ação paralela dos lobistas, como é da nossa tradição. Temos o hábito de decalcar instituições norte-americanas e nessa parte, a do financiamento, agem com o pragmatismo habitual e revelam como se estabelecer formas de controle.
BIZARRICE Vinda de políticos de fora (ministros, senadores, presidente) só melhora o índice de ocupação dos hotéis, nada mais. O que é que o ministro Olívio Dutra traz para Vanhoni e o senador Vírgilio para Beto Richa? Nada.
AXIOMA O apoio dos irmãos Simões (Carlos e Íris) do PTB ao Vanhoni é bem mais relevante do que a romaria ministerial, mesmo que deprima os ''puros''.
GLOSA Se ministros do STF quase vão às vias de fato por que Requião não pode também extravasar diante de decisões judiciais com as quais não concorda?
FOLCLORE Já que o Romário pode, apesar de tudo o que ele pensa representar, ser dispensado do Fluminense por que não se faz algo semelhante na política para fulminar a soberba dos que se acham insubstituíveis?

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