LUIZ GERALDO MAZZA
Tapetão, chave eleitoral
Para gerir os interesses em conflito com um mínimo de isonomia (igualdade) o Judiciário eleitoral tem que lembrar o equilibrista chinês controlando os pratos em movimento com o nariz, a testa e outras partes do corpo. Claro que sujeita a circunstancialidade do processo, repete-se aí o ritual das liminares concedidas e, em seguida, derrubadas. O próprio juiz D'Artagnan Serpa Sá, duramente criticado por Requião que, com os transbordamentos de sempre, o acusou de ligação com Beto Richa, acabou revendo a decisão que estabelecia limites e fixava multa para as aparições, claramente abusivas, do governador na TV chapa branca (as outras por acaso não seriam diante de cliente tão especial nessa época de durezas?).
Um juiz não pode contentar todas as partes. Ele age conforme o seu livre convencimento e nesse maremoto de paixões fica sujeito a desgaste. D'Artagnan tomou decisões temerárias sob o ponto de vista da legalidade, mas válidas por seus objetivos de legitimidade e justiça. Quis testar candidatos a vereador, o que não deixou de ter um aspecto positivo; contestou as pesquisas face à sua elevada margem de erro e escassa representatividade do universo ouvido. Agora um juiz de Ponta Grossa exige, até por causa do emparelhamento acirrado entre Péricles e Wosgrau, que as sondagens tenham um máximo de margem de erro de 2%, tese que havia sido colocada anteriormente pelo juiz D'Artagnan.
Como o destino das candidaturas circula especialmente no ''tapetão'', e que tem que resolver na hora questões nem sempre superficiais, é preciso ter equipe apurada e nesse particular a da coligação PT-PMDB aparece melhor, mais articulada e com senso agudo da passagem do tempo. Como os candidatos, no caso de Curitiba (isso não se repetiria em Londrina e demais cidades?), não são lá essas coisas, e muito menos os seus decantados marqueteiros, é preciso confiar nas rabulices e nas exegeses dos advogados que não podem andar com as Pandectas de Ulpiano nos braços, porque seria ornamental demais para a praticidade desse direito precário e desafiador que é o eleitoral e que exige resposta imediata como a da panacéia na Medicina.
BIZARRICE Sabem quem tornou possível o encontro de Lula com Vanhoni? Se você disse Jaime Lerner acertou. Luiz Inácio veio a Curitiba para as ''Parcerias Impossíveis'' no Teatro Paiol, saque do criativo (hoje nem tanto) arquiteto. Foi em setembro de 1997 e o metalúrgico, aquela época muito mais duro, deu pau para valer nos milicos e no governo e já falava na escassez de emprego, aquele tempo bem menos aguda que agora. Lerner criou um espaço de liberdade em pleno regime militar que o transformaria numa celebridade, especialmente no Rio de Janeiro, o mais adequado ecossistema para o festivismo.
AXIOMA O Ibope pode agora recuperar a sua imagem ou afundar de vez.
GLOSA Paroxismo seria a justiça proibir o resultado do pleito. O da pesquisa, até por causa das suspeitas, até que dá para aceitar.
EPIGRAMA Locutor fanho não pode anunciar lançamento de tênis no estádio que pode ser mal interpretado: auto-mutilação seria demais.
FOLCLORE Há várias eleições a síndrome do ''acordo branco'' domina o pedaço. Na de Lerner, a primeira, acusou-se Requião de com sua omissão ter prejudicado Alvaro Dias e na segunda falou-se que o senador foi beneficiado pela omissão dos governistas que ficaram sem candidato. Agora dizia-se que Rubens Bueno estava acertado com Vanhoni e que suas declarações eram frágeis contra a exploração de um anúncio que sugeria identidade. Com a entrevista de Bueno, primeiro à CBN Curitiba, depois à televisão, com a exploração no horário de Beto Richa, sugere-se que ele está ''assim'' com o tucano. Assim é se vos parece, como dizia Pirandello. A cor do branco é azul, vermelho ou amarelo?
AFORÍSTICO Ser neutro pode também ser uma bomba de neutron.





