Abraço do afogado

Costuma-se dizer, de uma forma generalizada, que certos apoios como o de Lula significam o ''beijo da morte'' e o ''abraço do afogado''. Adversários de Bob Requião dizem o mesmo e se valem dos resultados eleitorais para demonstrá-lo como os da maioria das cidades de porte elevado e médio. Especialmente casos como os de Foz do Iguaçu, Cascavel, Paranaguá, Grande Curitiba são lembrados.
Já de Lula existem evidências de que, apesar da atoarda otimista tangida pela Globo, seu contágio nem sempre é positivo. A ''Folha de S.Paulo'' mostrou no fim de semana que o governo federal perdeu justamente nas cidades em que mais investiu: das 50 que mais receberam o PT emplacou 18 e o PSDB 14.
Do lado da coligação petebo-peemedebista (PT e PTB, ora irmãos siameses) também há essa crença de que Jaime Lerner seca pimenteira e que Cassio Taniguchi afunda qualquer um. Ora Taniguchi tem poucos menos pontos do que Requião em parâmetros de credibilidade e ambos superam Lula. Assim se é exagero atribuir a Lula a condição de ''pé frio'', o mesmo raciocínio se aplicaria a Requião e igualmente aos antiparadigmas Lerner-Taniguchi. Na medida, porém, em que a palermice da direção da campanha de Beto Richa insiste em apresentá-lo como um intimidado e constrangido por essas alianças, afinal inegáveis, faz o jogo do outro lado.
O ÓBVIO QUE AMARRA Esse nhenhenhém em torno do óbvio amarra o processo da campanha que, de certa forma, melhorou um pouco neste segundo turno, posto que a fragilidade do debate da Band irritasse. Também a história do Caixa 2, que deu em nada na Justiça, recolocada como fator relevante para insistir na simetria entre Cassio e Beto Richa, reduz o espaço da seriedade em torno de propostas.
Até aqui o PSDB está levando vantagem por causa da titubeada do Vanhoni na questão das drogas em que por excesso de sinceridade admitiu ter sido usuário, embora hoje livre do flagelo graças ao apoio da família e também em função da safada sugestão de afinidade com Rubens Bueno, o que a Justiça fulminou com a concessão de liminar tirando a peça do ar. O pior, porém, está na questão do direito de resposta que só será apreciado no exame do mérito o que punirá ainda mais a coligação fraudadora, já que poderá ser concedido lá na frente, dando a Rubens Bueno, de forma indireta, a condição de eleitor relevante na medida em que reaja fortemente ao aproveitamento anti-ético havido de sua suposta adesão. Mesmo como ''neutro'', por mais suave que seja a sua fala, o prejuízo a Ângelo Vanhoni será enorme.
VOYEURISMO EM AÇÃO Tem mais: uma equipe de filmagem, de um helicóptero, filmou o apartamento em que Beto Richa mora, que é de alto padrão. Repete-se o que se fez com Alvaro Dias, via Jorge Samek, na campanha governamental de 1994, ao mostrar a planta, no debate de tv, do apartamento (condomínio de luxo, Wimbledon) em que o candidato do PMDB morava. É o lado voyeur das eleições.
A importância que o PSDB dá às estocadas do semanário ''Hora H'', pedindo a sua apreensão (que acertadamente a Justiça não acatou), é outra ''sorvetada'' na testa, prova de indigência mental. O que trazia o semanário de tão sinistro e terrível que não a obviedade do ''companheirismo'' entre Beto, Lerner e Cassio? É mais fácil e menos constrangedor aceitar essa provocação do que a das drogas em que Vanhoni escorregou quando a pergunta não tinha sido direta e o próprio candidato disse ter percebido qual a intenção do adversário. Empate em burradas e falta de ética não serve ao público e ao processo democrático.

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