Enfim o aquecimento

Não está abrasiva, mas a temperatura da campanha, no segundo turno, como era de se esperar, subiu. Não é ainda preciso usar amianto para evitar queimadura, mas já serviu para romper com a apatia pegajosa do primeiro turno.
Sabia-se que as baixarias viriam e dos dois lados, a mais grave do PT-PMDB ao sugerir, de forma capciosa, que Rubens Bueno estava com Vanhoni. E de fato está ''por aqui'', na altura do pescoço, com o estelionato. De outro lado, o PSDB usou imagens do deputado Valdir Leite, do PPS, o que é sacanagem também.
Felizmente, depois de não deixar bem clara a sua posição, o PPS entrou de sola e representou ontem na Justiça Eleitoral contra a coligação dos governos estadual e federal pelo uso indevido e fraudulento da mensagem e pediu o direito de resposta que, se concedido, será uma bomba porque a mentira, seja grave como a do Ferreirinha, aliás jamais julgada, ou sutil como essa identificação forçada, não é aceita pelo público.
Também houve o debate da Band com os dois candidatos tomados pelo tique tique nervoso e com Vanhoni, mais articulado na contundência, todavia exposto a um aumento de sua já apreciável taxa de rejeição, superior a 30%, e o Beto Richa caindo em ''clinch'' em cima de uma obviedade a de que teve apoio de Lerner e de Taniguchi. A rigor não se sabe se isso é ônus ou se é bônus Requião assumir as iniciativas do processo como se ele e não o Vanhoni fosse o candidato.
Da mesma forma não há como medir o efeito da vinda de Lula a Curitiba ou a de Zé Dirceu, o primeiro ministro, a Londrina, Maringá e Ponta Grossa. Enquanto alguns batem em Lerner, o ex-governador projeta o Brasil e o Paraná em suas palestras e intervenções no mundo e fora dos arraiais do burgo. E faz muito bem de não participar da campanha, embora seu apoio claro ao PSDB. O que pega mal é a ambivalência do Beto Richa quanto às suas relações com Taniguchi, de quem é vice e com Lerner, que enfrenta até hoje a ira de Rafael Greca por tê-lo preterido em favor do tucano.
BIZARRICE Do debate o excesso de sinceridade de Vanhoni ao dizer-se ex-usuário de droga pode ser-lhe prejudicial, como se deu com a bobeira de FHC, candidato a prefeito de São Paulo, confessando que experimentara maconha e num gesto de vaidade intelectual inútil afirmar-se ateu. Dançou e foi bem feito, mais por isso, o ateísmo, do que pela chibaba eventual. E levou fumo de Jânio Quadros.
AXIOMA Elizabeth Savala, atriz global, estava na campanha de Rubens Bueno e agora é garota propaganda da Dudony. Eduardo Schneider mandou brasa: do ''voto limpo'' a ''combina com você'' é um passo.
GLOSA Agora só falta um paranóico do PSDB sugerir que esse Dudony rima com Vanhoni e exigir a retirada do anúncio como se ele tivesse propósitos subliminares e de franco proselitismo.
EPIGRAMA PPS radicaliza na neutralidade e além de representar contra PT-PMDB na exploração de uma afinidade inexistente com Vanhoni também advertiu Valdir Leite por ter surfado no programa do PSDB.
FOLCLORE O tom belicoso do debate entre Beto Richa e Ângelo Vanhoni, já que os dois foram agressivos, mostra que a memória não é o forte dos políticos. Max Rosenmann dava pau, seguidamente, contra o lernerismo, na condição de candidato do PMDB (o vice era o devoto sem voto Romanelli) a prefeito e acabou ficando com uma votação de vereador. Em 1985, esse papel foi exercido por Paulo Pimentel como alternativa entre Requião e Lerner que teve votação de vereador.
CROMO Pergunta-se muito se Capitu traiu Bentinho e por que não se investiga bem Tristão e Isolda e o suposto amor casto de Abelardo e Heloísa?
AFORÍSTICO A campanha aqueceu, mas só ficará boa para muitos quando tivermos a temperatura da sauna de Lucifer.

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