LUIZ GERALDO MAZZA
Cautela já!
Se numa pesquisa de intenção de votos há uma diferença próxima de oito pontos de um candidato para outro, como a de Londrina, e o instituto a considera como empate, urge questionar a sua divulgação. Leve-se em conta ainda que se trata de sondagem espontânea, do chamado ''voto consolidado''. Margens de erro em pleitos de segundo turno, com a polarização imposta, da ordem de quatro pontos para mais ou para menos, não poderiam ser aceitos. Indispensável aumentar significativamente a amostragem, mesmo que haja a correspondente elevação de custos, para que não se repita a distorção havida em vários pontos do Brasil, inclusive na principal capital, São Paulo, e muito claramente em Curitiba e Cascavel.
Nesse aspecto, o juiz da Capital, D'Artagnan Serpa Sá, está certo em não aceitar margens de erro superiores a dois por cento, que facilitariam, como já se deu no primeiro turno, a forte manipulação havida e que prejudicou especialmente Rubens Bueno que aparecia em terceiro e poderia ter ido para o segundo turno se os registros anteriores não o afetassem, já que se os verdadeiros números fossem publicados induziriam a uma escalada do chamado voto útil com efeitos multiplicadores em forma de bola de neve.
Para ter pesquisas imprecisas, que acabam afetando os resultados eleitorais e induzindo o eleitor, é melhor que ou tenham um mínimo de acerto relativo com taxas toleráveis de margens de erro ou que simplesmente deixem de existir. É verdade que 605 pesquisados em Londrina é universo de maior eficiência do que os 800 ou 1.200 da Capital. Nesse aspecto a promoção da ''Folha'' e TV Tarobá é superior à de Curitiba, bem melhor estruturada, mas nem por isso livre da carga de críticas que o processo merece.
De qualquer forma, a amostragem revela que Belinati está na frente, o que para aqueles que fizeram um dos movimentos cívicos mais relevantes da história paranaense, que devassaran o governo local e obtiveram a sua cassação, é chocante ao mesmo tempo em que projeta em ''nulos e brancos'' mais de onze pontos percentuais, expressão clara do ceticismo e niilismo. Aí é de pensar-se o que falta no candidato do PT para neutralizar esse fato e isso conduz à consciência de que o povo também tem um juízo de valor não muito claro sobre as suas potencialidades e qualidades.
Urge, neste caso, como em todos os demais, e essa tem sido a minha fórmula tradicional, valer-se da doutrina de São Tomás de Aquino, a do ''mal menor'' e que se consubstanciaria na opção em favor do ''menos ruim''. Se essa equação não for suficiente estaremos perdidos, embora nem sempre a escolha do ''menos ruim'' seja fácil até pela possibilidade, radical e trágica, do empate.
Cabe à sociedade londrinense, por respeito ao seu processo civilizatório, mover esse fiel da balança em favor daquilo que a afirma e não a degrada pelo esforço de afirmação do segundo maior colégio eleitoral do Paraná como uma cidade capaz de entre vertentes populistas escolher a mais próxima do mundo moderno e melhor antenada com a racionalidade.
CRISE - A crise brasileira impede pesquisas mais precisas. Aliás no encontro da semana passada no TRE em Curitiba as duas coligações decidiram começar tudo a partir do dia 15 por declarada falta de recursos. Pode até ser choramingas para sensibilizar financiadores. O fato é que uma lipoaspiração nos gastos já foi declarada. Pena que o fato relevante, a ausência de inteligência e um mínimo de sensibilidade, continuarão marcando o pleito curitibano. Trágico.
CROMO - Voto em você para minha eleita sem hesitação e sem segundo turno.





