LUIZ GERALDO MAZZA
O senhor do destino
Toda a expectativa que está sendo criada em torno dos passos de Rubens Bueno para o segundo turno não apenas da Capital, mas em colégios importantes como o de Londrina, parece desconsiderar um dado: qual o efetivo poder de transferir votos desse monopolizador dos indecisos? Se 60% dos que nele votaram revelem, por uma questão óbvia, a do alto índice de rejeição de Ângelo Vanhoni (30%), uma preferência por Beto Richa ainda assim seria arriscado adotá-la como opção. Qualquer movimento dele como puxador de votos estaria sujeito a chuvas e trovoadas.
Como ficou claro que Bueno se beneficiou do inconformismo do eleitor ante as duas candidaturas polarizadas é difícil saber igualmente quantos votos foram dados diretamente ao candidato do PPS por seu desempenho de agora e o anterior para o governo estadual. Assim haveria todas as razões para manter o mistério. É que não apenas as religiões carecem disso como fator essencial. Como Rubens Bueno personaliza praticamente o PPS, o que não é bom, mas corrente na tradição brasileira, deveria criar as maiores salvaguardas para o patrimônio difuso, inapropriável por via estatística, a não ser que submetido a pesquisa rigorosamente científica, desses votos obtidos em duas eleições. Até pela natureza do avanço em Curitiba a cautela recomendaria neutralidade.
Desde que ficou claro que o PPS aparecendo bem em terceiro lugar ao lado das suas vitórias, surpreendentes algumas, na Região Metropolitana, a sua direção captou que qualquer jogada precipitada nesse segundo turno pode ter efeitos irrecuperáveis, ainda mais se a campanha, contrariando o que se deu antes, ganhar calor, intensidade e empolgamento, o que não é impossível. Quanto mais passional o quadro, maior o risco da opção.
Só a extrema vaidade pode levar alguém nessa condição à idéia de que decide o pleito como se os eleitores lhe tivessem dado, em certas circunstâncias, uma procuração irrevogável. Qualquer tentação corre o risco de aproximá-lo da soberba e de perder tudo o que teoricamente poderia ter acumulado.
JORNALISMO Temos raros exemplos de jornalismo investigativo. Hoje no processo da informação há mediadores demais. Como lembra João de Deus Freitas Neto é mais fácil a informação procurar o jornal do que o contrário. Isso é, a fonte é que toma as iniciativas. Há organizações, agências, especialmente as operantes na comunicação institucional, que se encarregam desse papel, sem esquecer as dominantes de origem pública.
Um país, que tem os seus principais oligopólios da comunicação em crise, fazendo o cerco no BNDES para escapar das suas dificuldades, se revela fraco para as chamadas ações independentes. Nesta semana tivemos um exemplo raro de matéria investigativa: a revelação, pela reportagem da CBN-Curitiba, de casos seguidos de trabalhadores em antenas de telefonia e que contraíram câncer pela exposição ao magnetismo. Conforme a denúncia, as empresas não desligariam as antenas, como se dá em países europeus, em que esses trabalhadores fazem operações de manutenção e que isso seria a causa das anomalias.
É surpreendente que os sindicatos de trabalhadores interessados não tenham assumido esse tipo de luta até porque não há nenhuma atividade, ao que se saiba, de risco que não conte com cautelas relativas à salubridade para que patologias agudas não se transformem em doenças profissionais. Depoimentos de alguns trabalhadores condenados à morte ilustraram a reportagem, mas a Anatel mostrava dificuldade em posicionar-se apesar da gravidade dos relatos.





