LUIZ GERALDO MAZZA
Monopólio do indeciso
Não dá para comparar a indecisão do Rubens Bueno, até porque é fruto dela, com a do príncipe Hamlet, a caveira de Yurik à mão, dissertando o ser ou não ser. Aliás desse personagem de Shakespeare houve várias encenações: uns nele viram um fundamento edipiano no fato de o ator mostrar-se um sofredor pelo sacrifício da mãe e disposto a descarregar a ira no pai, e outros algo ainda mais profundo numa encruzilhada ontológica, metafísica, em torno do ser como valor filosófico e fundamento de todas as formulações daí decorrentes.
Rubens Bueno é o maior beneficiário da falta de quadros na política de nossa terra, o que a eleição em Curitiba deixou à mostra. Fauna que se repete ora com Lerner, Requião, Alvaro Dias. Tanto no pleito de governador como no de prefeito da Capital ele foi o agregador dos indecisos. Estes, jamais, por rejeitarem claramente Beto e Vanhoni, se aproximariam de Bertoldi e Mauro Moraes. Como também não admitiram a alternativa Requião-Alvaro que aliás não obteve mais do que 45% dos votos válidos, consequentemente não repetindo aqui o ocorrido nos maiores centros do Brasil em que houve segundo turno.
O quadro é pobre, mas em meio à mediania Rubens Bueno é o valor mais alto de um partido que corre o risco em 2006 de não ultrapassar as exigências da tão decantada cláusula de barreira. Nesse ponto, o partidário, está acima do que Requião, Alvaro, Osmar e Lerner expressam em seus respectivos nichos. É um nome nacional, atuante, elemento-chave para o PCB pasteurizado e que ainda se fará relevante se sair a fusão com o PDT, embora nesse caso Osmar Dias detenha maiores credenciais para a sucessão estadual.
Numa eleição, polarizada (com a mãozinha do Ibope), pode explorar e expressar como ninguém o alternativo. Menos Hamlet e mais o pensador de Rodin deve levar a fundo a reflexão sobre o segundo turno de Curitiba. Ao postar-se na eleição anterior por Lula e Requião correu menos riscos, e até obteve premiação com a sua nomeação para a Itaipu, do que se o fizesse agora. Perderia o encanto e o que representou para os que lhe deram os 20% de sufrágios.
BIZARRICE Em solenidade no Palácio Iguaçu Requião exercitou a sua verve ao dizer que o Cerimonial, ao não chamar para a mesa o Rubens Bueno, deixou de homenagear o governador de 2010. Para Requião, 2006 ninguém tasca. É dele!
AXIOMA A oposição explorando as crianças carbonizadas de Piraquara na casa que teve a luz cortada pela Copel para deixar mal o ''Luz Fraterna'' apenas se iguala a Requião com atos de caráter assemelhado e desprezível, como a perfídia feita com uma fita do casamento da filha de Lerner. Essencialmente craca.
GLOSA Políticos lembram o urubu que de revirar e se alimentar do que é podre e degradado ganha imunidade contra as pestilências. Os animais detém esse poder de criar antígenos, já os políticos nem tanto. Nós, ao nos acostumarmos com eles, não estaríamos também nivelados?
EPIGRAMA Pensar em levar a melhor em debate com Greca sobre literatura clássica é tão seguro quanto andar no Alto São Francisco sem ser assaltado.
FOLCLORE Requião, na blague feita com Rubens Bueno de que ele ficaria para 2010, fez, ainda que brincando, exercício de futurologia, no que não é nada forte: prometeu, religiosamente, que baixaria ou extinguiria o pedágio e até agora neca; disse que impediria a circulação de transgênicos no Paraná e parece que também aí perdeu a batalha com a decisão do Senado sobre biosegurança, que de certa forma autoriza Lula a adotar a Medida Provisória. Outra coisa: não fez sucessor, o que invalida o fundamento da piada. E se ganhar com Vanhoni pode festejar, e muito, porque é a primeira vez que, de fato, consegue tal feito de indicar alguém e levar em Curitiba.





