LUIZ GERALDO MAZZA
Enfim o talento
Em poucos minutos o deputado estadual Rafael Greca trouxe uma carga de talento e inspiração não captada, até então, na campanha eleitoral. Num breve discurso, a rigor uma efabulação, mostrou que ''peixe sem cabeça não tem rumo'' e o fato de o PMDB render-se à aliança com o PT tirou a mística do número 15 na Região Metropolitana. Comparou o feito com o PPS que, mantendo a chapa, teve a divulgação da legenda no horário eleitoral e a vitória em cinco municípios, podendo levar ainda um sexto, se for aceita a contestação do pleito em Rio Branco do Sul, essa visivelmente deformada pela comprovação, documentada, de compra de votos.
A aliança levou o PT à anorexia na eleição proporcional com a perda da metade de sua bancada, justamente os mais combativos, e o PMDB caiu em 20% do seu poder de fogo com menos um camarista. Era, desde o início, um risco calculado, tanto para um como para outro partido. O temor reverencial da ''lavagem cerebral'' feita em Curitiba em cima do lernerismo levou o PMDB ao oportunismo de acreditar que haveria hoje todas as condições de recriar o segundo turno da eleição anterior. A prova maior de que isso é fantasia, ligada ainda a uma certa hostilidade a Lula, pelo que faz e deixa de fazer, está nos 30% da taxa de rejeição ao cabeça de chapa.
Anteontem mais munição para a campanha do PT-PMDB: o TRE decidiu, por três a dois, que o ''Caixa 2'' pode ser explorado, alterando entendimento anterior. Obviamente o PSDB vai ao TSE para derrubar o que poderia se transformar, bem no estilo Requião, em monotema central da campanha. Na primeira baixou na aposentadoria de Richa e o deslocou do segundo turno e neste montou a novela do Ferreirinha. Essa técnica evita a dispersão temática.
Vanhoni poderá ser mostrado como vítima de uma fraude e que o público se depuraria de suas culpas se o elegesse. Outra: na última revista ''Idéias'' há uma entrevista do celebrado delegado Noronha em que se mostra pró Beto Richa, o que pode dar margem à exploração. A tentativa de derrubar Duda Mendonça, apoiada por Requião, quase emplaca. Para juntar as duas concepções de fazer política, a propositiva e a detonadora, não vai ser fácil.
BIZARRICE Quase um debate na CBN ontem entre os peemedebistas Rafael Greca e Romanelli, peteca versus tacape. Romanelli criticou Greca por defender Mirlei, a baronesa do sexo, e este, no velho estilo, replicou: ''Jesus fez o mesmo em defesa de Maria Madalena''. Quem atira a primeira pedra nem sempre leva.
AXIOMA O único equilíbrio na eleição curitibana é de ''pés-frios''. Estão bem distribuídos nos dois comitês e alguns deles são majestáticos, imponentes.
GLOSA Scalco na campanha do Beto prova que o comando está disposto a ouvir.
EPIGRAMA Tem gente no PSDB que ganhou a última eleição com Alvaro Dias e no PT-PMDB, se houver nova derrota, teremos a quinta. Daí a ansiedade dos dois.
VINHETA Há candidato que só ganha erguendo as mãos para o céu. O Vanhoni está de olhos fechados para o Procel que o levou a gaguejar na eleição anterior.
FOLCLORE Havia no jornal ''Diário do Paraná'' um repórter, o Monteiro, que tinha o hábito de, antes de ler as notícias, cheirar o jornal. E por essa via, ora consagrada no prêmio Nobel, à maneira dos provadores de café e vinho, concluía se estava ''bom ou ruim''. Era uma identificação intensa com odores, cargas adequadas ou excessivas de tintas. Esse jornal publicou o primeiro anúncio, colorido e perfumado, de nossa imprensa. Tratava-se da linha de perfume Dana e fomos todos condenados à danação com dores de cabeça por três dias. Nem o Monteiro, que era um especialista, aguentou.





