LUIZ GERALDO MAZZA
Janet Leigh por aqui
Ontem muita gente em Curitiba procurou o Centro de Convenções oficial para ver as impressões das mãos da atriz Janet Leigh sobre uma lage de cimento que no então Cine Vitória funcionava como a calçada da fama. Janet, mulher de Toni Curtis, falecida no domingo passado aos 78 anos, esteve na Capital paranaense participando de uma promoção da coluna ''Tribunascope'' do jornalista João Feder na ''Tribuna do Paraná'' e que trouxe até nós, em 1964, nos primeiros dias do golpe militar, além dela os atores Antony Perkins e Karl Marlden. Curiosamente Perkins é quem a ''assassina'' no filme de Alfred Hitchcok ''Psicose'' na celebrada cena do banheiro.
Cuidamos muito mal da nossa memória e essa calçada da fama foi agregada ao Centro de Convenções que ocupou as instalações do Cine Vitória, o segundo maior do Brasil, só suplantado pelo Marabá de São Paulo. É possível que tenhamos deixado de registrar a passagem recente de Antoni Quinn que aqui desempenhou na película ''Oriundi'' um papel de destaque, um dos últimos de sua carreira, embora certamente um dos mais fracos. Volta e meia filmes e novelas fazem locações no Paraná, não só na Capital, pois até Campo Tenente serviu de cenário a um bangue bangue regional, e não consta que tenha havido esse tipo de cuidado ocorrido com a passagem dos três ''hollywoodianos'' na praça.
Os mais antigos lembram da passagem por Curitiba, lá pelos anos 40, século passado, de Henry Fonda. Dá para imaginar o ''auê'' provocado por esse fato insólito. Nossa provincianice extravasa nesses momentos: uma ocasião no filme de Alex Viany ''Agulha num Palheiro'' um curitibano, Jaudê Curi, fez uma ponta em que ele respondia uma indagação sobre endereços no Rio de Janeiro. Foi a glória com o cinema lotado só para ver a participação do curitibano.
Relatos como esse, orais, deveriam fazer parte de alguma documentação. E não sei o que o governo pretende fazer com o projeto ''Memória Histórica'' do Bamerindus-HSBC, que está guardado (não sei se com os cuidados devidos) no Canal da Música. Há ali mais de trezentas entrevistas, inclusive uma de Newton Carneiro em que revela que houve malícia da parte dos brasileiros na passagem do sistema de colonização dos ingleses, desenvolvido no Norte do Paraná, que deu origem ao ''boom'' cafeeiro, depoimento ouvido de familiares de sir Lovat na Inglaterra.
Uma das causas da nossa ausência de identidade é o pouco rigor concedido à memória histórica. Nossa mais completa documentação bibliográfica paranaense está hoje na Universidade de Camberra, Austrália, porque não houve zelo do governo paranaense em adquiri-la. O acervo pertencia a Adir Guimarães. Quem desejar conhecê-lo já aproveita para ver os cangurus e o ornitorrinco.
BIZARRICE - O ornitorrinco bota ovo e é mamífero e por isso mesmo lembra muito o hibridismo dos partidos brasileiros. E das coligações, como se verá por aqui.
AXIOMA - A decisão ontem de condenar o Estado pela morte do Teixeirinha é mais um alerta sobre a caudal indenizatória que teremos em função de ações e omissões dos últimos governos do Paraná. Os recursos podem retardar decisões, mas haverá um dia em que isso ocorrerá.
GLOSA - Rubens Bueno teve o voto dos indecisos e agora é indeciso radical. Pelo menos ontem. É a indecisão limpa.
EPIGRAMA - Nenhum dos candidatos de Curitiba quer o apoio do prefeito Taniguchi. Que canta aquela música ''Ninguém me ama// ninguém me quer// ninguém me chama// de meu amor//''. Sua esposa, Marina, também não apóia ninguém e está em tudo com o marido.
FOLCLORE - Adversários de Requião afirmam que ele dá abraço do afogado aos seus aliados, citando vários municípios. Nos maiores ele pode provar o contrário. Numa coisa empatam: no número de ''pés-frios'' em seus comitês.





