LUIZ GERALDO MAZZA
Quem ganhou, quem perdeu
A formiga está no lombo do elefante que em desabalada carreira provoca uma tempestade de pó. Aí ela se vira e declara, admirada, para o sucessor do mastodonte : ''viu o vendaval que estamos provocando?'' A interpretação das tabulações eleitorais será mais ou menos nesse diapasão, pois os consultores e aspones da mais elevada hierarquia dos comitês se declararão responsáveis pelos feitos e apontarão culpados por eventuais baixas, nunca atribuíveis a eles próprios, apesar das evidências.
Como o governador disse ter criado 500 mil empregos (no Brasil todo foram 1 milhão e meio até agosto) será fácil valer-se da ''matemágica'' para multiplicar os indicadores eleitorais. Atribuirá menos a Jocelito Canto a virada em Ponta Grossa do que a sua participação quando aquele deputado, enquanto candidato, liderava as intenções de voto com até 60%. Dirá e aí é verdade que a sua intervenção em Curitiba livrou Vanhoni do desastre, pois, se os números reais fossem divulgados, o candidato petista estaria fora do segundo turno pelo clima de ''arrastão'' que haveria em favor de Rubens Bueno, mobilizando indecisos e os que rejeitam (mais de 30%) aquele que o Ibope insistia em dizer que estava na dianteira, o que era um embuste como o de Marta Suplicy em São Paulo.
Se alguém disser que o PMDB repete a saga da Arena e do PDS, refugiando-se nos ''grotões'' haverá prestidigitação como aquela que o garçom da boate fazia com a conta dos clientes, acrescentando a placa do automóvel, o CPF, RG etc, valendo-se obviamente da escuridão. Dos 120 municípios em que o partido do governador venceu a maioria é de pequenas cidades, todavia o efeito do rolo compressor, que normalmente beneficia o situacionismo, não funcionou nas cidades de porte médio e grande.
O governador poderá descontar, no segundo turno, os insucessos apoiando petistas em Londrina, Ponta Grossa, Maringá e Curitiba como seu eleitor máximo, em certo aspecto com melhores credenciais internas do que Lula. Alvo maior é Curitiba, símbolo tão forte quanto São Paulo, menos pela expressão econômica mais reduzida do que em função da mitologia do modelo urbano e ainda do poder dinástico que a sustenta, assemelhado ao do PT em Porto Alegre, tão difícil de remover quanto o da Capital paranaense.
BIZARRICE A tolice de classificar o quadro político em direita e esquerda é de um primarismo exemplar. Lula é esquerda, mesmo à direita de FHC quanto aos meneios para o FMI? O superávit primário exagerado é direita ortodoxa.
AXIOMA Já que todos se dizem vencedores por que não se abraçam, emocionados?
GLOSA Até agora o acordo PT-PMDB tirou três vereadores do primeiro e um do segundo, do qual todos os quatro eram pela candidatura própria. A tese ainda foi derrotada na não eleição de Doático Santos, dirigente municipal e que junto com Maurício Requião comandou a operação pró-aliança.
EPIGRAMA Requião, na boca da urna, disse que votava em Doático. Como se vê a transferência de prestígio não é o seu forte. O que é bom para a democracia.
FOLCLORE Circulam duas versões sobre as mudanças de tática na campanha do PT-PMDB: uma, segundo a qual o Duda Mendonça teria solicitado para manter o azul da mobilização, mas afastar o azul do olho do Requião e seu jeans; outra no sentido de que o publicitário precisava de férias. A melhor ajuda e a mais eficiente foi a do Ibope.
AFORÍSTICO Requião tem ração. Será suficiente para todas as demandas?





