''Pegadinhas'', a atração

Nos debates houve tentativas de ''pegadinhas'' como a do Leopoldo Campos sobre o direito de preempção (preferência) do ''Estatuto das Cidades'', que o Melo Viana, do Partido Verde, não estava suficientemente maduro para responder. Algumas decidem a parada como aquela do Procel, feita pelo Cassio Taniguchi, e que o Ângelo Vanhoni, absorto, não sabia do que se tratava.
Incidentes, reais ou imaginários, podem decidir uma eleição como a de presidente em 1950 em que o paulista Hugo Borghi atribuiu ao brigadeiro Eduardo Gomes, da UDN, o desprezo ao que chamou de ''marmiteiros'' para trabalhadores comuns. Bastou isso para que a marmita se transformasse em distintivo quase com tanta força iconográfica quanto a vassoura de Jânio Quadros em 1960.
Quando, em 1986, Alvaro Dias, do PMDB-PP, enfrentou Alencar Furtado com Lerner na vice, pela aliança comandada pelo PDS, o jornal de campanha da situação, que era o ''Correio de Notícias'', numa típica viajada na maionese, transbordou na história de um projeto multimodal no Ivaí (rodoferroviário e fluvial) e ilustrou com um mapa ligando Curitiba a Londrina por água. De posse do material no debate, Alencar Furtado, certamente orientado por tecnocrata, e partindo para refinada ironia, perguntou a Alvaro se essa obra ficaria a montante ou a jusante da Capital do Café e o candidato, vencedor, não se deixou surpreender com a resposta. ''Sou candidato a governador e não a marinheiro.'' E no caso, não agora, marinheiro de primeira viagem.
E há ''pegadinhas'' mortais como aquela do Boris Casoy em cima de Fernando Henrique Cardoso para a Prefeitura de São Paulo sobre a existência de Deus. A vaidade intelectual derrotou FHC, embora como sociólogo tivesse a obrigação de saber como a maioria do povo brasileiro pensava sobre o tema. Deu uma de agnóstico e intelectual e dançou, perdendo para Jânio Quadros.
BIZARRICE De uma forma geral o debate no Paraná foi oxo (ocho, de zero a zero) e seguramente chocho. O formato pode ser bom para a tevê, mas não esclarece e empolga tanto quanto um cachorro ''brindando'' um poste.
AXIOMA Há quem aposte que amanhã o maior derrotado será o instituto de pesquisa. E não é o que sempre ocorre até porque a memória de todos é curta.
GLOSA Ficaria bem melhor o sorteio do debate ser feito por um periquito como o do homem antigo do realejo. No mínimo mais inserido na tropicália, lembrando o canto de Carmen Miranda ''meu periquitinho verde// tire a sorte, por favor// eu quero resolver// um caso de amor// se eu não caso// neste caso vou morrer// o que eu não quero// é depois de me casar// ouvir a filharada// noite e dia a me amolar// eu te juro //que não tenho paciência de aturar// mamãe eu quero mamar//''. Mamar é o verbo oculto e ansiado da campanha eleitoral.
EPIGRAMA Não há comício sem bebum. No do Rubens Bueno, um deles deu o recado: ''diga que é parente da Maria Bueno que você vai pro segundo turno!'' Maria Bueno, morta em 1894, levou tantas facadas que foi beatificada pelo povo e o seu túmulo no Cemitério Municipal virou alvo de romarias.
FOLCLORE A tevê estabula o eleitor na campanha eleitoral. Essa a razão pela qual as cidades, que só contam com rádio, como Paranaguá, apresentam altos índices de carros com decalcomania e a pregação de rua é mais intensa.
CROMO Ter (ou imaginar) a eleita e não ser o eleito é mais difícil do que o ''ser ou não ser'' do Hamlet.

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