Brigas intestinas


Mais determinado, e obviamente mais autoritário, Requião tem um ponto em comum com Lerner e Richa: nas tensões internas costuma esperar que os fatos caminhem para a autometabolização. Já no primeiro governo não se envolveu na dividida entre o secretário especial, José Domingos Scarpelini, e Luiz Claudio Romanelli, da Habitação. Apesar do tom grave das denúncias do apucaranense, deixou que tudo fluísse como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Nesse aspecto, Lerner, normalmente um acomodado, foi contundente com as denúncias assacadas contra o seu secretário da Agricultura, Hermas Brandão, em torno do episódio da readequação de estradas vicinais, e o afastou. Richa deixou o barco ir à deriva na denúncia das comissões indevidas em dólares do secretário Erasmo Garanhão, da Fazenda, em empréstimo internacional, feita por seu secretário de Planejamento, Belmiro Valverde, e acabou afastando os dois.
Agora há um racha mais familiar do que político no interior do governo entre o presidente da Copel, Paulo Pimentel, e seu genro, Luis Mussi, secretário de Indústria e Comércio. Como o governador quer preservar a amizade que mantém com os conflitantes, deixa também a história fluir ao sabor das circunstâncias e que ganhou aspectos dramáticos com a troca de chumbo dos dois por causa de dívidas e que levou o jornal do grupo a pedir o reexame da tragédia do Jockey Club. Pois agora o Canal 21, de Luis Mussi, fez reportagem sobre a mansão que o secretário de Comunicação, Airton Pisseti, constrói e houve o repique do publicitário e também empresário da construção civil.
Com a calma aparente de um budista, Requião não toma partido como também buscou que as próprias partes se acomodassem nos entreveros entre Pimentel e alguns dos seus colaboradores, como Ravedutti e Gilberto Griebeller na Copel. Como sua prioridade é outra, ainda mais com o calendário eleitoral, tenta manter o psicodrama sob seu controle sem sinais de impaciência e irritação.
Bala trocada nas próprias trincheiras nem sempre significa administrar por conflito, uma técnica ao gosto das raposas políticas.

BIZARRICE A última ''Paraná em Páginas'' sugere que o governo paranaense deve brigar pela duplicação da Garuva-Guaratuba como compensação pelo investimento feito (BRs 376-101) na duplicação da estrada federal que agora deverá cobrar pedágio. Requião já defendeu a tese de que o Paraná tem direitos. Aliás, seus adversários diziam que ele se empenhara na estrada porque frequentava a Praia do Grant, depois de Barra Velha-Itajuba, o que é pura maldade, já que Alvaro Dias a iniciou e a abandonou, Requião deu-lhe continuidade e Lerner concluiu.

AXIOMA Os últimos serão os primeiros é um brocardo bíblico que não serve em política para os que aparecem mal nas pesquisas. Assim mesmo, tanto Rubens Bueno quanto Bertoldi tentam ficar em segundo, com o que ajudam Vanhoni.

GLOSA O apelo tardio de Beto Richa pelo voto útil dificilmente funciona, já que a briga no terceiro posto consolida a polarização.

EPIGRAMA Em Londrina é maior, ainda que difícil, a possibilidade de Hauly encostar em Micheleti. É uma vantagem sobre o clima eleitoral da Capital. A maioria torce pelo impossível: a surpresa e até uma ''zebra''.

FOLCLORE Vanhoni pregou na TV a importância de haver simetria da prefeitura com os governos federal e estadual, o que soa como chantagem. Dos últimos 40 anos, lembra Eduardo Schneider, em 30 houve essa sintonia em Curitiba, o que desmantela a má inspirada sugestão de que ele inauguraria a novidade. Richa, quando prefeito de Londrina, em pleno regime militar, foi auxiliadíssimo pelos seus adversários, mas amigos, no consulado neysta e arrancou recursos também da União. A transformação da cidade encontra aí a decolagem.

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