LUIZ GERALDO MAZZA
Fonteiras internas
São Paulo anuncia taxação pesada dos produtos originários de Estados que se valem de incentivos fiscais para sua política de desenvolvimento. O chio de São Paulo tem uma origem: a perda gradativa de uma hegemonia que tinha caráter imperial e hoje expressa, numa necessidade nacional, de desconcentrar a economia brasileira. Esse processo, ao contrário do que acreditam os mentores da mais nova cruzada contra a ''guerra fiscal'', é irreversível por tratar-se de uma reacomodação de estruturas industriais, comerciais, tecnológicas e de serviços. Algo em favor do equilíbrio federativo e um esforço legítimo para reduzir desníveis regionais, um dos nossos dramas maiores.
A reação paranaense, que também se vale dessa política, não teve destaque, pelo menos até agora, e o que foi dito, de forma dispersa, está longe da contundência com que Minas, Rio de Janeiro, Bahia e outros rechaçaram as restrições, altamente dramatizadas, por São Paulo. O poderio industrial de São Paulo, na verdade um subproduto do fulgor da cafeicultura, foi sabidamente induzido por ações do governo central e que transbordaram o campo fiscal ao lado de outras que a sua própria dinâmica interna estabeleceu.
O próprio revezamento político das ''dobradinhas'' presidenciais café com leite e que ajustavam os interesses de São Paulo e Minas justifica, não apenas no campo da política institucional, esse privilégio que comandava o rumo da economia. É interessante que o Paraná entre nessa e com vigor. Se o seu governador chega a contestar o ''modelo'' nacional na questão das privatizações, o pedágio entre elas, e no caso dos transgênicos, isso sem falar na oposição ao leilão dos poços de petróleo, é indispensável que marque posição com vigor em tema muito mais apropriado até pelo rumo tomado por nossa economia e que registra seus feitos com destaque nacional, chegando a desbancar Estados com maior tradição justamente em função das políticas fiscais adotadas.
BIZARRICE Granizo na Lapa com efeitos devastadores. Quando o município tinha se transformado num pólo frutícola uma das armas empregadas para salvar essa ''lavoura'' sofisticada (pêssegos, maçãs, peras, nectarinas, todos de clima temperado) era o acionamento de baterias de foguetes antigranizo e que os destruía no nascedouro ainda nas nuvens. Por sinal que detínhamos a tecnologia da Britanite, subsidiária da CR Almeida. Também nos pomares de Guarapuava e Palmas a medida era adotada para proteger macieiras.
AXIOMA Gays, lésbicas e transexuais se reuniram em Curitiba no empenho de eleger um representante. São menos dissimulados do que a maioria daqueles que disputam eleições. E os não-assumidos, porventura, traem a causa ou adotam o mimetismo de todos os políticos, fingindo o que não são?
GLOSA Novelista dos anos cinquenta, ironizando o mundo moderno, achava que os ruminantes, mascadores de chiclete, pareciam estar rezando. O que diria hoje dessa nova praga comportamental dos telefones celulares?
EPIGRAMA No Brasil o candidato vale mais do que o partido. Dá para imaginar como isso funcionará no segundo turno: o personalismo ganha do coletivo.
FOLCLORE Na primeira gestão de Requião o ex-prefeito de Apucarana, José Domingos Scarpelini, fez graves denúncias contra Romanelli, secretário da Habitação. Requião não interveio: agora lavra em seu governo, além dos casos da Copel, a briga entre Paulo Pimentel e o genro Luis Mussi. Fica na mesma.
CROMO Se você é como a Esfinge e promete me devorar fique certa de que pelo menos tentarei decifrá-la.
AFORÍSTICO Fotocópia de capa do ''Hora H'' de 2000 quando escrachava Vanhoni estão circulando. Caco Lacerda disse, certa vez, que notícia é como bula de remédio e tem prazo de validade. Purgante também é remédio.





