LUIZ GERALDO MAZZA
Um sinal de apatia
Se há algo que define bem o baixo nível de interesse da campanha eleitoral é o reduzido número de veículos com decalques de candidatos. Há um brochice geral no respeitável público e de tal ordem que alguns motoristas afixam o nome de candidato a vereador e sem fazer referência ao cabeça de chapa. É a operação camarão em apoteose.
Nunca se viu tamanha apatia, e de forma abrangente, no eleitor. E para provar que as pesquisas efetivamente perderam a credibilidade o fenômeno não é detectado em nenhuma delas, embora houvesse a curiosidade de haver o aumento dos indecisos e dos dispostos a anular o voto justamente à medida em que se acentuava o ritmo da campanha gratuita no rádio, tevê e nas ruas. Esse fato também, além de ampliar a dimensão do desinteresse, revela o pouco poder de convencimento dos deslumbrados marqueteiros da praça.
E é aí que se percebe o erro do PMDB acreditando que o Vanhoni de 2004 é o mesmo daquele de 2000. É o oportunismo delirante que acabou levando o PT a fazer um acordo com o PMDB em que perderá boa parte da sua representação na Câmara Municipal. Especialmente no segundo turno da última eleição, apesar dos erros do candidato petista como aquele ar de perplexo, pronto a espatifar um sorvete na testa, na perguntinha de algibeira sobre o Procel (havia 15 páginas do programa do partido esgotando o tema em seus pormenores), existia uma das maiores arregimentações que o beneficiava. Era notória especialmente a preferência dos mais jovens e mais ilustrados por Vanhoni. Hoje a pirâmide social está de cabeça para baixo: a classe média e com escolaridade que eram o seu forte foram perdidas.
Atualmente a candidatura petista é refém não do PMDB, mas do governador, que responde pela melhora no background da campanha e que se acentuou no comício da semana passada onde também manipularam o número de participantes com a ligeireza habitual. Aliás isso é de uma falta de imaginação espantosa: na cruzada das diretas um público de pouco mais de 10 mil pessoas transformou-se em 40 e 50 mil. Agora multiplicaram por dois na esperança de que com isso se aumente em alguns dígitos a votação esperada.
BIZARRICE - Alvaro Dias, que várias vezes processou o semanário ''Hora H'', foi em cima da publicação por causa da charge que o colocou como o ''parteiro'' de Beto Richa como ''filho'' político de Lerner e Taniguchi. A ordem de apreender o jornal foi dada, mas a essa altura a charge corre por vias clandestinas como aquela foto de Alvaro com um boné de apoio a Lerner.
AXIOMA - Requião foi beneficiário como ''filho'' político de José Richa na eleição de prefeito de Curitiba, de Alvaro Dias na de governador (permaneceu no posto para elegê-lo e participou inclusive da farsa do Ferreirinha sendo denunciado até por prevaricação) e de Lula na mais recente.
GLOSA - Aliás os militares costumavam dizer que Lula era ''filho'' ideológico do cardeal Evaristo Arns e do jornalista Mino Carta.
EPIGRAMA - Parece incrível, mas até o governo atual do Paraná entrou naquela do trenzinho para Antofagasta, Chile, para ligar o Atlântico ao Pacífico. Era o carro-chefe da campanha do Martinez e depois o Lerner entrou na onda.
FOLCLORE - Chegamos a ter, anos cinquenta, uma linha ferroviária eletrificada entre Curitiba e Piraquara. Getúlio Vargas veio inaugurá-la e eu estava a bordo. Alguns nostálgicos do atraso (dá para ver isso nos governos atuais) lamentavam, em artigos de jornal, saudades do tempo em que ''marias- fumaça'' soltavam brasas que queimavam a roupa dos viajantes. A hidrelétrica Marumbi foi feita para esse fim e acabou servindo no Governo Ney Braga para atender a demanda de energia do litoral, pois a eletrificação foi abandonada.
CROMO - Sartre disse que a vida é uma paixão enlouquecida. Qual paixão não é?





