Hora do suspense

Não bastasse o clima de suspense em cima das pesquisas que apenas adensa o tédio do eleitor, minado pela apatia, ainda temos agora atritos diários entre parlamentares, anteontem no choque entre Jocelito Canto e Carlos Simões e ontem entre os petistas André Vargas e Natálio Stica. Pelo jeito esse pessoal está mais embalado e animado do que o público, próximo da catatonia.
Toda a tentativa de criar fatos políticos resulta em frustração desde a tal caminhada de Vanhoni com Requião e Zé Dirceu, um dos maiores vexames de toda a campanha pelo número ridículo de participantes, a maioria constituída de integrantes do primeiro e segundo escalões. Era a comissão de frente dos comissionados nesse carnaval de mau gosto.
As campanhas não deslancham e se persistir nesse rumo não haverá surpresa se houver um alude de votos nulos e em branco. Ainda bem que a votação eletrônica impede o exercício de garatujas de protesto, o que seria um festival. Rigores excessivos, não apenas da Justiça Eleitoral, engessam o processo e a impressão que fica é a de que uma paranóia em cima de uma visão conspiratória anima o espetáculo. Dá impressão que instituições do processo eleitoral, como é o caso das pesquisas, indispensáveis numa democracia digna desse nome, são atingidas pelo ceticismo extremo e que pode, de repente, nos devolver ao radicalismo da Lei Falcão com slides e currículos dos postulantes.
Excesso de zelo como amor exasperado de mãe podem dar maus resultados: de um lado a eleição insossa e de outro o filho que morreu asfixiado pelo abraço da genitora. Como se já não bastasse a ausência de alternativas razoáveis no pleito de Curitiba, com a pobreza do leque ofertado, temos mais complicadores nos inúmeros casuísmos que tumultuam o cenário.
BIZARRICE - Se pesquisas não forem divulgadas, o beneficiário é Vanhoni, pois se na caminhada do sábado houve tanta evasão dá para imaginar o que aconteceria com resultados negativos, mesmo que de pequena diferença.
AXIOMA - É possível que saia o apoio de Rafael Greca a Rubens Bueno ainda hoje. Isso ajuda, obliquamente, a aliança oficial por segurar Bertoldi. Há quem ache que só Maria Bueno, que não é parente, mas que faz milagres, pode assegurar a subida de Bueno. Boa a charge do Tiago Recchia em favor de Bueno com ''Los tres inimigos''. Pelo menos resgata o talento e a criatividade, inteiramente ausentes dessa campanha.
GLOSA - Engenheiros portuários saíram do silêncio e passaram a mostrar erros técnicos no Porto de Paranaguá. Não querem passar por omissos na série de irregularidades que levaram o ex-ministro Pratini de Moraes, em palestra recente em circuito fechado de televisão, a afirmar que o tamanho do prejuízo naquele terminal ultrapassa os R$ 2 bilhões.
EPIGRAMA - O PPS não tolera quebra de fidelidade e não deu carona ao Caron.
FOLCLORE - Na eleição senatorial em que Leite Chaves derrotou João Mansur o irmão de Ney Braga, Guilherme, fez uma convocação a todos os secretários para que cada um levassse pelo menos cinquenta pessoas a um encontro na Sociedade Literária do Portão. A sala ficou cheia e todo o mundo achava que havia sido um sucesso. Aí Canet Júnior, que era vice-governador, fez a sugestão para que no próximo encontro se dispensassem os secretários para ver quem efetivamente estava com o governo. Se fizessem isso na caminhada de sábado do PT-PMDB haveria menos gente na avenida do que a que se forma diante de estátuas vivas.
CROMO - E essa alvura lunar que tomou conta do seu rosto lhe dá o tom frágil de um lírio pênsil.
AFORÍSTICO - Pimentel rima com Copel como sugeria o Guilhobel.

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