A Geni das eleições


Pelo jeito já encontramos, como sempre acontece, o bode expiatório (vereador do Piauí dizia ''respiratório'' à maneira do personagem do José Wilker na novela das nove) para as eleições: os institutos de pesquisa. Em todo pleito eles lembram a ''Geni'' do Chico Buarque que era atingida por bosta. O que está chovendo, de norte a sul, de massa fecal em cima dos institutos não está em gibi algum e pelo jeito não poupa nenhum.
Gente séria como o deputado federal Gustavo Fruet encaixou suspeições sobre o Ibope, acusado de manipulação dos indicadores de rejeição, para fortalecer dentro do PMDB a tese da candidatura coligada, já que ele e Greca apareciam com taxas adiposas de hostilidade. E agora já temos, inclusive, denúncias formais de oferta de ''trabalho dirigido''.
É uma pena que o Ibope, nossa mais tradicional organização e que não se limita a fazer esse tipo de trabalho já que orienta sondagens sistemáticas na audiência de rádio e televisão, isso sem falar em levantamentos de marketing e de matéria comportamental, saia mal desse tipo de julgamento e aumente a carga de suspeitas que pode ir muito além da paranóia dos derrotados. Toda eleição restabelece o debate sobre questões éticas e técnicas (podem os institutos fazer levantamentos para emissoras quando servem como contratados a algum partido ou coligação em cima de sondagens, mesmo que internas?) e dessa vez a situação deles é pior do que as anteriores. A questão técnica da margem de erro elevada de quatro a cinco pontos é grave e aproxima esses resultados da mais singela das advinhações. É impossível, ainda mais num pleito polarizado, aceitar esse desvio porque não há ''matemágica'' que o tolere.
Estamos falando do maior dos nossos institutos e o próprio Brasil deveria ser o primeiro interessado em preservá-lo pela importância de suas atividades. Dá para imaginar a vulnerabilidade dos nanicos que aparecem nessas ocasiões e que, à maneira dos partidos de aluguel, prestam serviços quase sempre com vícios de origem. Se até apuração de votos, vide episódio do Rio de Janeiro denunciado por Brizola, no caso Proconsult, foram alvo de tentativa de manipulação dá para imaginar o quanto se mostram vulneráveis as pesquisas, ainda mais quando detém o poder inegável de induzir o eleitor.

BIZARRICE Além dos institutos, também partidos e candidatos lembram a Geni. E quase sempre, a médio prazo, igualmente os vencedores das eleições.

AXIOMA Em resumo: uma eleição é sempre guerra de babuínos.

GLOSA Se não temos como controlar o que é legal e aceitável numa eleição, como prevenir o que é ilegal? O caso Ferreirinha é um paradigma, outro aquele truque do Lerner cortando linearmente as tarifas do pedágio. Um lixo.

EPIGRAMA O Data-Táxi é referencial, por vezes, mais eficaz como ''ibope''. Há, ainda, o Data-Barbeiro, o Data-Bar. O Data-Padre felizmente não pode contar o que saca no confessionário.

FOLCLORE Se a própria concessionária de telefonia contrata a Kroll para fazer ''arapongagem'' numa concorrente dá para perceber que todos estamos sujeitos a ter os nossos telefones ''grampeados'', imaginem como seriam visados comitês eleitorais. Uma cautela adequada seria o chefe do comitê botar um ''grampo'' para ver se não está sendo saceaneado, o que no mundo cão, em que vivemos, é mais do que bem possível.

CROMO Se a maçã era transgênica por que Requião não expulsou Eva e Adão, a um só tempo, do paraíso?

AFORÍSTICO O pior roubo na eleição é o que vem depois da posse, embora não deixe de existir, antes e durante a campanha.

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