LUIZ GERALDO MAZZA
A praça do julgamento
A distância é mínima entre a sede da Prefeitura de Curitiba e o Palácio Iguaçu. Não dá, porém, para minimizar a distância entre o desempenho superior da gestão de caráter municipal da estadual. Não é de hoje essa praxe e ela não surgiu com Lerner, como a atoarda publicitária, fez crer. É com Ney Braga no módulo menor que a distância, que então favorecia o Estado, vai se reduzindo.
Em alguns governos estaduais como o de Ney Braga, Paulo Pimentel e, em especial, o de Canet Júnior a gestão se mostrou equilibrada ou superior à do município. Claro que as possibilidades de intervenção se tornam mais eficazes na cidade do que no conjunto estadual.
Não dá para comparar os títulos que Curitiba tem recebido como um modelo em setores de urbanismo, saúde, atendimento à criança, desempenho escolar com os estaduais. É visível que o instrumental municipal e a cultura que o acompanha se revelam mais eficazes, sob o ponto de vista operacional. É verdade que a Capital, sob Lerner em especial, abusou na dosagem da manipulação de corações e mentes e que esse resíduo ainda aí permanece até pela circunstância de que os sucessores deram continuidade à linha de filosofia e estratégia.
Já o governo perdeu muito com o ingresso do PMDB, embora o esforço de José Richa no que diz respeito à ''participação democrática'', que buscou levar até as práticas de planejamento, e também na idéia-força da procura de tecnologias alternativas e variação de escalas econômicas. Há muito o Estado se tornou leigo (laicizou-se) em matéria de planejamento e é aí que Curitiba leva a melhor com o IPPUC cuja articulação não dá para ser comparada à da Comec. Já o Ipardes, que poderia ser o grande instrumento do governo estadual, se perde na sua insistente contaminação pela política. Nenhum intelectual, que mereça essa classificação, aceita engajamento na marra e botar a técnica a serviço do mero e ridículo proselitismo.
Mais enxuta e operativa, melhor ajustada a imposições da austeridade fiscal (Curitiba é quem menos gasta com pessoal) e com invejável arrecadação (que a leva a oferecer a imensa colher de chá de 20% de desconto no IPTU para 2005), a prefeitura é muito mais capaz, gerencialmente falando, do que o Estado.
Outra coisa: o Centro Cívico, e sua falta de um Plano Diretor eficaz (vide o mostrengo do Fórum e os anexos do Tribunal de Contas, Assembléia Legislativa e Palácio da Justiça), é um símbolo dessa derrota.
BIZARRICE - Grampo no comitê: se for de cabelo dá para saber quem é o candidato? Afinal em campanha eleitoral suposição é sinônimo de verdade.
AXIOMA - Pelo nível da campanha em Curitiba é de justificar-se a instalação de ''grampos'' porque todos os partidos devem estar escondendo suas propostas porque o que se viu até agora é ridículo. Vamos, pois, aos segredos.
GLOSA - Essa história da Araupel dá razão a Charles de Gaulle: se o Incra sabia que a área dominialmente pertencia à União por que acertou a compra dos dois assentamentos anteriores? O Brasil é que está sub judice.
EPIGRAMA - Calcinha, com propaganda no traseiro, na campanha de vereadores é o que se pode chamar de metalinguagem da arma secreta.
FOLCLORE - Todos os cargos de confiança do governo estão convocados para o ataque final da campanha eleitoral, inclusive apadrinhando candidatos a vereadores da coligação. Quem tem D.A.S (dê a esse) dá ou desce.
CROMO - Você se renova e se retempera com a passagem do tempo, daí a luz no seu olhar, ontem, no seu aniversário.





