Leigo em planejamento

  Além do desmanche do Estado, o que não impediu que continuasse flácido e muito próximo da impotência (Belmiro Valverde o chamou acertadamente de eunuco por ter perdido a capacidade genésica), uma das coisas terríveis no Brasil foi tornar o agente público leigo em planejamento. Ora essa é uma das funções indelegáveis do aparato público tanto quanto os seus exercícios do poder de polícia e de intervir na educação e saúde para a malha mínima de assistência para a ascensão social.
  É impossível pensar em planejamento num país que sequer tem um projeto nacional devidamente articulado e capaz de traduzir uma plataforma de idéias. Nada impede, porém, que estados-membros organizem minimamente as perspectivas de intervenção na realidade e, é óbvio, sem apelar para os centralismos que asfixiam.
  Numa eleição como a que o País está enfrentando é possível perceber o grau de carência no setor referido. Tudo começa nos planos diretores, mumificados e sem a reciclagem que o tempo impõe, e termina nas trombadas com órgãos estaduais e federais para a ansiosa elaboração de convênios, único meio de fugir à crise de recursos e o garrote vil da Lei de Responsabilidade Fiscal.
  Evidências da falta de planejamento estão à vista na ferrovia do oeste que não funciona porque o trecho que precede a ligação Guarapuava-Cascavel não pode ser operado na mesma escala pelas composições, obrigadas que ficam a fragmentar-se no itinerário rumo ao primeiro planalto e ao terminal portuário. Dá para lembrar da demora histórica da ligação moderna, hoje BR-277, entre Curitiba e o litoral. A concessão da Lisímaco da Costa ficou anos à deriva como se deu também com a ferrovia entre Ponta Grossa e Apucarana entregue inicialmente a empreiteira Bigton. É possível percebê-lo igualmente nos sinais do novo traçado ferroviário Curitiba-Paranaguá e naquele viaduto inútil que marca o desalento e o desperdício, tanto quanto o monstrengo do Fórum no Centro Cívico.
  Essa incapacidade de apontar prioridades adequadas, impedir o velho hábito da solução de continuidade e de, enfim, programar e coordenar é o referencial maior desse momento. Teme-se que o modelo das Parcerias Público-Privadas se transforme noutro referencial de incompetência e não dê a resposta esperada para o deslanche da infra-estrutura econômica do país, isso sem falar nos riscos de desvios e de um repeteco da privataria.
BIZARRICE - É pura maldade sugerir que Lula, à moda de Luis XIV, com quem tanto se parecia o seu antecessor, venha a afirmar: depois de mim, o delúbio. Aliás o que se diz é que o delúbio vem antes e não depois.
AXIOMA - O presidente Lula agora, depois do avião milionário, quer também valer-se de helicópteros. Segundo Aristóteles, a ausência de asas seria a ‘‘carência fatal’’ do homem diante dos anjos, serafins e querubins, todos alados.
GLOSA - Se cada família assentada, conforme alguns cálculos, no Paraná, chega a R$ 280 mil com essa reforma o governo quebra e não há retorno.
FOLCLORE - Uma dirigente do PMDB, empolgada com um anão empregado em campanha eleitoral em Campina Grande do Sul, pensou que se tratasse de uma criança e o colocou, de forma carinhosa, no colo. A multidão em coro lembrou que se tratava de um anão, mas este, gostando do tratamento, replicava ‘‘não sou não, não sou não’’. A política sempre foi a aliança do sim e do não, agora é até da aliança com o anão, como já faz o ex-vereador curitibano e novamente candidato Tito Zeglin que leva uma casinha com um casal de anões.
CROMO - Minha esperança derradeira é uma carta, nem que seja posta restante.

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