LUIZ GERALDO MAZZA
Uma aliança maldita
Há petistas, de Curitiba especialmente, achando que a aliança com o PMDB será um desastre: o ex ''velho de guerra'' pode golear de sete a três a bancada petista na Câmara Municipal e com prejuízo para a cidade com a perda dos mais aguerridos. Assim, se ganhar a prefeitura, objetivo-maior, ainda compensará, mas se isso não ocorrer o oportunismo será punido pela justiça poética.
Talvez esteja aí nessas evidências apocalípticas a causa dos atritos entre as facções, desde aquela tarde de São Bartolomeu em torno de linguiças no comitê, aquele momento triunfalista, do Vanhoni. Se a bancada peemebista chegar aos sete não impedirá, de outro lado, que aqueles vereadores, hoje distribuídos por uma gama diversificada de partidos e alianças, e que sempre formaram como banda de música do lernerismo, identificados no grupo ''Pró Cidade'', se reelejam também. É a mesmice levada à sublimidade.
Aposta-se tudo na intervenção do governador Requião no processo: não é para menos, já que se esgotam as perspectivas de fatos novos e discute-se, também, se seria importante ou não a vinda de Lula. Requião e Lula no mesmo palanque poderia ser olhado como deboche pelo eleitorado mais esclarecido, tantas são as ferroadas que o presidente recebe do governador que ajudou a eleger. Aqui, em Curitiba e no Paraná, apesar de tudo, Requião é mais polarizador de votos, posto que em sua carreira não tenha obtido uma vitória sequer em favor dos seus indicados.
BIZARRICE Irreverência não tem limites. Eduardo Schneider, na revista ''Idéias'' sugere que a ''persona'', assumida pelos candidatos, é tão válida quanto a inversão do show de Monga, a mulher-gorila, um clássico de parques de diversões. Ele se refere especialmente à metamorfose do Bertoldi em cima daquela idiotice de importar o ''tolerância zero'' do Giuliani.
AXIOMA Outra, terrível, é do Carlos Alberto Pessoa indicando que a dupla Marx e Engels teria um ''caso por acaso'' e seria como Batman & Robin, Mandrake & Lothar, Fantasma e o seu cachorro, o Capeto?
GLOSA Gustavo Fruet deve apoiar Beto Richa, mas ainda fora de partidos. Não se deve subestimar esse apoio, todavia não há sentido em superestimá-lo. A essa altura tudo o que soma é válido. Depois das eleições as consequências: haverá debandada do PMDB, segundo Fruet.
EPIGRAMA Nos anos 70 já falavam no ''sojaduto''. Um dos entusiastas era o Mário Stadler de Souza, presidente da Fiep. O projeto era diferenciado do que se discutiu em Ponta Grossa: tratava-se de um teleférico que utilizaria como apoio e sustentação a rede de transmissão de energia da Copel e seus postes. Está aí uma das utilidades impensadas do pedágio a de obrigar em descobrir formas de evitá-lo e também dos engarrafamentos na rodovia e no gargalo das ferrovias, ainda mais quando degradadas pela privataria.
FOLCLORE O governo que se cuide com o exercício de criatividade que cercará a deflagração das Parcerias Público-Privadas. O cerealduto pode estar entre as sugestões como também o absurdo do porto do Pontal que exigiria, para evitar a destruição de manguezais e restingas, que se construísse um sistema de viadutos contínuos entre a BR-277 e o terminal que pretendem destinar a contêineres. Um detalhe: as autoridades liberaram um porto, combatido inútil e tenazmente pelo movimento ecológico, na baía de Babitonga, na localidade da Glória, perto do conjunto de praias de Itapoá. Corre-se o risco de uma cupidez semelhante a do ciclo FHC com as privatizações, selvagens e, boa parte delas, estúpidas.
CROMO E se eu te amo tanto é por essa razão que me faltam as palavras?





