LUIZ GERALDO MAZZA
Imaginário pobre
O jornal ''Folha de S.Paulo'', em artigo de opinião do jornalista Fernando Rodrigues, estabeleceu analogia de estilo entre o governador Roberto Requião e o presidente venezuelano, Hugo Chaves, por seu populismo nacionalista. A pobreza do cenário humano contemporâneo vide a presença de um Bush na maior nação do mundo facilita esse tipo de aproximação em imaginário. Para muitos, Chaves é menos aceitável do que o homônimo da televisão mexicana, o que não impede que muito o encarem como um estadista.
Requião, ainda que autoritário e populista, tem uma certa, embora não tanto quanto imaginam seus seguidores, sofisticação intelectual, visível na mordacidade e causticidade das suas blagues e metáforas, bem melhores do que as de Lula. Chaves, por sua formação militar e diante do tipo de confronto que mantém com as classes ricas de Caracas, há de ser mais determinado nos atos de hostilidade bem como o uso da cautela quando busca, tal qual se dá agora, formas de consenso para evitar o aprofundamento do ''racha''.
Embora Requião se diga um seguidor de Puebla, que coisa mais antiga e fora de esquadro, tantas as mudanças de lá para cá, incluindo a perda de vigor dos seguidores da Teologia da Libertação, e um adepto da ''opção pelos pobres'', a sua capacidade de intervenção é limitada aos subsídios da água, da energia e do leite das crianças. Já o governante venezuelano, sabendo que mais de 70% da população é constituída de pobres e miseráveis, vale-se da fase excepcional de renda auferida com o petróleo, mormente nas vendas aos ''esteites'', para melhorar o nível das políticas compensatórias. Requião tem identificação com figuras bonapartistas com tempero subdesenvolvido, como o general Lino Oviedo, no caso do Paraguai.
O objetivo do artigo referido é colocar novamente o governador paranaense como o antiparadigma de Lula. Só que não existe o menor propósito em comparar ações provinciais com a do mandatário brasileiro. Se Lula fizesse 10% do que Requião apronta, o Brasil teria quebrado. Estaria pior do que a Argentina. O Custo Brasil, como aquele artefato, a sonda espacial Gênesis, depois da aventura no espaço sideral, cairia no deserto, apesar de carregar partículas de poeira solar. Dava pra cantar ''poeira''.
ENTRA DE SOLA Embora nunca, em sua carreira, tenha transferido prestígio a qualquer candidato que apoiou (houve casos de notória fuga como no de Fruet e no de Alvaro Dias), o governador Requião entrou de sola na campanha de Ângelo Vanhoni. Reinava a maior perplexidade no QG da campanha, pois Duda Mendonça não conseguira em 20 dias reverter o quadro negativo, visível na hostilidade da classe média e de melhor escolaridade, razão porque houve a aceitação da derradeira tentativa para melhorar as expectativas. Requião, à maneira do Alex no Cruzeiro, chamou o jogo pra si e agora está com todo poder como gosta.
QUADRO RUIM Estrategicamente foi importante a decisão de Requião, pois, tirando Foz do Iguaçu, o PMDB vai mal em todas as praças de porte como Londrina, Cascavel, Paranaguá e quase todo litoral. Se vencer na Capital derruba uma dinastia e isso compensa, tantas as tundas acumuladas.
PESQUISA Nunca as pesquisas estiveram com imagem tão negativa como agora. O Ibope lidera as desconfianças pela estreiteza da amostragem. Um deles tem sede em Barueri e os donos moram em Salvador e João Pessoa.
LABORTERAPIA É melhor preso confeccionar bola e material esportivo do que ter uma bola de ferro nas pernas. Convênios do ''Pintando a Liberdade'' não foram perdidos e ainda ontem se tratava do assunto aqui com o ministro do Esporte.





