LUIZ GERALDO MAZZA
O balbucio da terra
A demagogia armada em torno do agrarismo, montado mais pela condescendência do Estado do que pelo suposto ímpeto revolucionário, não é desmascarada porque jamais se fez um levantamento dos resultados produtivos de assentamentos, sejam provisórios ou definitivos. Agora chegam a ponto de tentar e a sugestão veio de um ministro de tribunal superior a montagem de uma justiça especializada para dirimir os conflitos da terra. Em textos constitucionais anteriores isso seria considerado uma heresia pela não pertinência dos chamados tribunais de exceção.
Estudos sobre alguns dos maiores assentamentos como o da Fazenda Itamarati são uma prova do absurdo e da dissipação de recursos. Na primeira safra do núcleo fez-se um cálculo dividindo-se o total da produção pelas famílias acampadas e o resultado final, badalado com a inconsequência costumeira dos agraristas, dava um resultado per capita inferior ao mínimo visado pelo ''Fome Zero'' do presidente Lula.
Agora uma nova parte da fazenda, que já foi a maior produtora do País quando a explorava o empresário falido, Olacir de Morais, vai servir de continuidade ao mega-assentamento. Segundo o Xico Graziano, que já foi presidente do Incra, o custo por família assentada vai ser de R$ 100 mil. Aliás para a Araupel, aqui no Paraná, onde se pretendia outro projeto modelo, que assombraria o País, conforme se decantava nos institucionais dos governos estadual e federal, o custo seria também elevadíssimo, de R$ 80 mil por família.
Um país com recursos escassos não pode, em nome dos alevantados propósitos da reforma agrária, agir dessa forma tão pródiga, quando as perspectivas de retorno são mínimas, sem falar no grande número de desvios pelos que vendem as propriedades e os lotes ou os abandonam.
É preciso ficar claro que os excluídos precisam ser incluídos no processo da produção mas não para excluir o modelo do agronegócio que garante hoje, pelo menos, o sucesso da economia brasileira. Modelos diversos não se excluem, embora o João Pedro Stédile acredite que a forma de libertar o país estaria em generalizar a chamada propriedade familiar, o que é a expressão viva da utopia retrô. Podem coexistir formas diferenciadas de produção no país, com escalas e tecnologias apropriadas, tanto na agropecuária quando no comércio e indústria. É possível a convivência do pequeno com o médio e grande empreendimento.
A manifestação do ''Grito da Terra'', desta vez fraquíssima, é um meio de expor diferenças que podem coexistir. O erro dessas manifestações como as do MST é manter apenas um foco, tentando sugerir que a parte é melhor que o todo.
BIZARRICE Ratinho, capa da última revista ''Idéias'', sugere que Requião precisa fazer análise. E não é gramatical ou lógica. ''Precisa ir num analista''. Maior crítica é a de que o governador trata todo o empresário como se fosse ladrão.
AXIOMA Ricardo Gomyde, da Paraná Esporte, cometeu um erro grave: perdeu o prazo para o convênio com a União que permitia nas penitenciárias a produção de bolas e outros materiais esportivos. É uma bola furada e pisada na bola.
FOLCLORE Em Pontal do Paraná há um empate nas pesquisas entre o ex-prefeito e o Bino Tramujas que se igualam numa idéia estapafúrdia: o porto da localidade com aproveitamento da ponta do poço. Só que a obra exigiria uma parafernália de viadutos e rodovias que detonariam restingas, manguezais, rios e áreas de proteção ambiental. O pior é que, desinformado, o governo estadual apóia a barbárie.
CROMO Quero olhar fixo nos teus olhos e neles me ver refletido.





