LUIZ GERALDO MAZZA
Pesquisas degradadas
O DNA das nossas pesquisas eleitorais as identifica na condição de portadoras de anomalias congênitas insanáveis: a pouca expressão das amostragens, que agora sobem para 600, o que em nada refresca, e que geram margens de erro que vão de 4 a 5 pontos percentuais, compromete qualquer sondagem e todas as demais conclusões acabam contaminadas por essa deformação de origem. Assim mesmo os interessados fazem a decodificação em classes sociais, faixas etárias, sexo, como se isso desconsiderasse o pecado original.
Se num bairro como o Portão, que tem maior contingente eleitoral do que a maior parte das cidades paranaenses, a sondagem é feita com quatro ou cinco eleitores e que estão longe de abarcar a complexidade diversificada dos grupos sociais e dos extratos ali representados, dá para captar a inutilidade funcional das amostras e respectivos resultados, ainda mais se considerarmos que a campanha gratuita pelo rádio e tevê e o corpo-a-corpo das ruas aumentou e não baixou o número dos indecisos e dos dispostos a anular o voto.
De qualquer forma, embora com a mesma expressão de um exame de urina em que aparecem traços de interesse patológico, deleitam-se os atletas das pesquisas a explorar seus desdobramentos. Um deles é curiosísissimo: o PT vinha sendo, não apenas aqui e também em nível nacional, o partido preferencial da classe média agora se revela como o dos pobres que já foi o público-alvo nos tempos em que a militância achava, debochando do que Marx pensava, que o lúmpem era o maior potencial revolucionário da legenda, estupidez piramidal. Outra inversão de perfil é a de que os de mais baixa escolaridade melhor se identificam com a estrela vermelha, hoje amarelada, do basismo.
Mesmo que indicadores tão precários possam ter algum significado é temerário, numa perspectiva minimamente científica, dar-lhes crédito com a láurea das academias. Enquanto a margem de erro permanecer entre 4 e 5 pontos percentuais tudo o que for divulgado, por mais bem ajeitadinhas que estejam as tabulações, ainda mais num pleito supostamente polarizado, é pura advinhação.
BIZARRICE Como não há confiabilidade nas pesquisas formais, as internas dos partidos e coligações, que buscam amostragens bem mais abrangentes, ainda que viciadas pela subjetividade de origem, passam a impor-se. Numa delas o Rubens Bueno já estaria colado em Vanhoni. É claro que essa é do PPS.
AXIOMA Os partidos não descem apenas na credibilidade popular. Descem também a serra em busca das praias como aconteceu no sábado. O tempo estava enferruscado e esse era o estado de ânimo do banhista que só melhorou a partir de domingo com a elevação da temperatura e o sumiço dos militantes.
GLOSA Teve gente que rezou a um só tempo que melhorasse a temperatura e que as fanfarras eleitorais voltassem para Curitiba. A apatia é hercúlea.
EPIGRAMA Destaque na ''Idéias'', em seu número 14, da Travessa dos Editores a jovem Lara Hadad, de Londrina, criadora do projeto ''Ilustres idéias'' voltado para a literatura infantil e muito conhecido no Brasil.
FOLCLORE A figura mais desapegada de ambição, que já esteve no governo foi a do estadista José Hosken de Novaes que dispensava o carro oficial e ia ao supermercado pessoalmente, trazendo as compras às costas. Testemunhei num almoço no Palácio Iguaçu, do qual participaram o maior empresário da comunicação social do Paraná, Francisco Cunha Pereira, e o historiador e jurista Paulo Mercadante, o prestígio que o homem tão simples tinha em nível nacional. Um dos pontos da conversa entre Hosken e Mercadante foi a respeito das anomalias que cercam o cripto-federalismo brasileiro.





