LUIZ GERALDO MAZZA
A sociedade inerme
Governos fazem o que bem entendem e a sociedade não reage. Seja no Brasil ou no Paraná. A ameaça de ''engessar'' a Sanepar como forma eficaz de levar o consórcio privado de acionistas ceder, acompanhada ainda do apelo aos prefeitos para que rompam seus acordos com a estatal, caso ela não se firme como majoritária, o que nunca deixou de ser, é um desses exemplos. O tom confessional, quase religioso, das pregações do governador não é entendido pelo público, mas produz exatamente o que deseja: uma reação emocional e não lógica. Há, por método, o empenho em evitar o pensamento livre e a reflexão substituídos por um ruído permanente como o produzido nas ações da polícia e da sabotagem pelo ''misturador de vozes''.
A carga diária dessa tempestade de comunicação, feita em prejuízo claro da informação, produz dois efeitos: ou coloca os mal informados, mas siderados pela pregação, em alinhamento automático ao governo, tal a frequência das aparições do governante nos meios de comunicação, ou ainda, pela forma como se dá o processo, gera o desinteresse e a apatia. E isso justamente por um tipo de pregação que se revela inócua nos pronunciamentos do Judiciário revertendo todas as expectativas criadas, seja na ruptura contratual (pedágio, pacto acionário da Sanepar, incidentes na Copel) e na questão dos transgênicos.
Quanto mais é derrotado no âmbito judicial mais se esforça o Palácio Iguaçu para manter no público a expectativa de que perde batalhas, mas ganha fácil a guerra, como ainda o demonstrou na última ''escolinha'' no arrazoado de Sérgio Botto de Lacerda, o procurador-geral, o que não passa de investimento na emoção e na área do psicossocial, nada mais.
Estamos diante de um processo deseducativo sob o ponto de vista político e que à maneira dos prestidigitadores tenta inutilmente transformar derrotas sucessivas em triunfalismo. Foi assim que encontraram depois da 2 Guerra Mundial numa ilha do Pacífico aquele japonês, muitos anos depois da derrota, certo de que o Hiroíto venceria seus inimigos, razão pela qual ''resistia'' em exercício de solidão patético-trágico.
BIZARRICE A queda de Belinati (de 39,5% a 38,3% e a 32%) na pesquisa em Londrina era visível antes da decisão do TRE em impugnar-lhe a candidatura. Vitimalismo é investimento heróico e essa circunstância pode aparar a queda e turbiná-lo.
AXIOMA ''Se o Requião arregaçar a manga em Paranaguá o Baka vai pro brejo''. É o saque dos peemedebistas litorâneos buscando levar o governador a tentar reverter os números da pesquisa que favorecem o Baka, do PDT.
GLOSA Diz-se em Paranaguá que contrataram mais 150 pra limpeza no Porto, mas a craca ainda continua para alegria de ratos e pombos acostumados.
EPIGRAMA O moralismo seletivo do Paraná é insuportável. Propaga o Engov.
FOLCLORE O Tribunal de Contas está diante de um problema muito parecido com aquele que deu origem à sindicância e processo na Junta Comercial. Deram uma certidão negativa em favor de Ogarito Linhares, candidato do PMDB em Paranaguá a prefeito, quando as suas contas, como presidente da Câmara Municipal da cidade, permanecem ''sub judice''. A correria no TC, ontem, era grande.
VINHETA Dá para imaginar um governante paulista ameaçando paralisar a empresa de saneamento de lá e ainda pedindo aos prefeitos que rompam convênios?
CROMO Na gruta dos ex-votos da igreja dos milagres levei todas as peças que poderiam sugerir sua presença porque você é claramente a minha doença.





