Jekyl e Mr. Hide

Quantos dos candidatos em exposição em todo o Brasil não estariam repetindo a efabulação de ''O médico e o monstro'', tal a diferença marcante entre o que são e o que projetam, graças às artes dos marqueteiros na campanha? Como são cada vez mais sofisticados os meios de intervir na ''construção'' de personas dispensando a cirurgia plástica e o botox, mais pela computação gráfica do que pela maquiagem heróica, não espanta que alguém que lembra aquelas carrancas dos barcos do São Francisco se transfigure em ''mocinho'' da novela das oito.
Nos ''esteites'' a campanha está começando a ficar pesada e a cara comprida do Kerry é caricaturada como sendo a de um cavalo. Aqui já começou o golpe abaixo da linha da cintura e as provocações são tão intensas e sequenciais que o próprio Tribunal Eleitoral bem como os juízes de primeira instância encontram a maior dificuldade em estabelecer os limites do aceitável. O pingue-pongue das liminares, seguido das respectivas cassações, o que é uma característica do Judiciário brasileiro hoje, mas que se torna bem evidente em processos emergenciais como os de natureza eleitoral, torna um pleito, já destituído de qualquer interesse, em algo intolerável.
Pior do que a feiúra ou a beleza, em contraponto à superficialidade e a elevados níveis de ignorância, do rosto encoberto por essas artes, é a da alma pela circunstância de que em muitos casos o público percebe a distância entre imagem e realidade pelo conhecimento que tem do histórico dos postulantes. Dá para imaginar um talento como o de Carlos Lacerda, sublime na crueldade, se divertindo com essas dissimulações. De Castelo Branco ele disse que a feiúra da alma era maior do que a do corpo. Como também afirmou que o ministro Alecastro Guimarães, sempre na lista dos dez mais elegantes do Rio de Janeiro, tinha a postura majestática de um senador romano e o cérebro de Primo Carnera, peso pesado italiano que chegou a campeão mundial de box.
Seria demais esperar saques talentosos como esses na campanha eleitoral de mais baixo QI da história de Curitiba, por exemplo, e que parece repetir-se na maioria dos municípios do Paraná e do Brasil. Dr. Jekyl e Mr. Hide se revezam nessa opereta bufa, embora sem o talento dos personagens de Stevenson.

BIZARRICE Quando o eleitor, que acompanhava as Olimpíadas, viu a referência ao Olimpo da Grécia concluiu que se tratava de homenagem a Rubens Bueno, o limpo.

AXIOMA O Brasil só atingirá em 2050 o patamar dos países do primeiro mundo. Com um refrão de JK, ''50 anos em 5'', resolveríamos tudo num tapa não sendo necessário fazê-lo por etapas.

GLOSA No Censo de 80 a Copel sugeriu, por departamento próprio, invadindo, aliás, atribuições de outros como o Ipardes, que teríamos 10 milhões de habitantes quando nem chegamos a 8 milhões. Só chegou àquele número em 2003. Será que em outros indicadores a empresa não estaria também defasada? Não dá para desprezar um erro de 23 anos. É de eletrocutar.

EPIGRAMA Na escolinha dá a impressão que todos seriam reprovados.

VINHETA Não é apenas o MST que faz o que bem entende. Aí se iguala ao governo e ambos só perdem do crime organizado, hegemônico nessa emulação.

FOLCLORE Hoje o STF deve julgar se o Ministério Público pode substituir a polícia. Anteontem o jornalista Cândido Gomes Chagas foi ao MP e distribuiu por todas as seções a última edição da ''Paraná em Páginas'' cobrando a intervenção do órgão no caso das multas de trânsito. Candinho solta o foguete e não vai atrás da varinha, já que vai junto com o artefato.

CROMO Mesmo sonâmbula, a sua marcha elegante é a de um sonho.

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