LUIZ GERALDO MAZZA
Enfim, a doutrina
Demorou, mas caiu a ficha: um setor ''massa cinzenta'' (será que é?) do governo Lula finalmente está criando uma doutrina que a um só tempo aceite a globalização e saiba como nela inserir-se preservando interesses nacionais. É ocioso discutir se isso é nacionalismo (algo que perdeu o bonde da história e fenece nas mentes enfermiças, ainda que românticas e que aspiram o retorno inviável de ciclos históricos do passado) ou neonacionalismo. O fato é que se torna indispensável formular algo no mundo globalizado e em que haja um mínimo de respeito ao ''poder nacional'', um realejo da doutrina da Escola Superior de Guerra, em nome de quem se deu o golpe de 1964.
Requião objetivamente faz, embora de forma desarticulada, mais intervenções nessa direção do que o governo Lula. Só que o Paraná não tem uma doutrina e seria demais esperá-la em equipe de governo tão destituída de conhecimento. Antes de morrer e a entrevista só foi publicada pós-mortem o sociólogo Otávio Ianni deixou uma recomendação para Lula, em quem deve ter apostado e também se decepcionado como homem de esquerda, na questão da globalização: sugeria que o Brasil seguisse a linha da China e da Índia, que nela se inseriram sem abdicar dos projetos nacionais. Não dá para comparar duas nações, afinal detentoras do poder nuclear, explosivas demograficamente e também em desníveis internos, com esse Brasil permeável a tantas coisas e distante de qualquer idéia de disciplina e ordenamento.
Lula tem quadros intelectuais fora do governo, nas universidades e institutos de pesquisa científica, a maioria deles distanciada do pragmatismo que ocupa a preocupação de suas falanges no governo envoltas em dois objetivos prosaicos: a ocupação desesperada do ''aparelho de Estado'' e o varejo das eleições. Em tal clima é impossível o exercício da reflexão séria, como se insinua nessa hipótese de criar espaços estratégicos para o Estado, a recuperação do seu poder de intervenção no mínimo indicativa na economia e de uma ação mais firme para reduzir desníveis regionais e sociais.
Se houvesse QI no Paraná, como anotei desde o início, teríamos saído na frente também nessa. Tanto quanto o Vanderlei Cordeiro na maratona olímpica.
BIZARRICE Pra começo de conversa: país que tem Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Embrapa, Embraer, Infraero, Imbel (fábrica de material bélico), Correios, está longe de ser neoliberal, como MST e padres insistem.
AXIOMA Militares levaram décadas comemorando a Intentona Comunista de 1935. Até que deu fadiga do material, estresse, ainda mais depois de 64. Essa celebração de ontem dos professores já saturou. São os ricos dos barnabés estaduais e ainda querem mais, embora o padrão da educação não tenha em nada melhorado, como os provões o demonstraram.
GLOSA Professores foram incapazes de derrotar o sucessor de Alvaro (Requião), mas favoreceram Lerner vingando-se de Alvaro e depois não conseguiram derrubar Lerner, que já os decepionara, na reeleição. Todos querem olhar o episódio (lastimável) das bombas como uma Queda da Bastilha. Não foi, não é, não será.
Agora só falta atingir quem os beneficiou (Requião) num momento em que a maioria dos servidores estaduais está sem qualquer reajuste há nove anos.
FOLCLORE Ratinho estava na Confeitaria Stuart no domingo com sua turma de colaboradores. Excursões de jovens de todo o Brasil que participavam em Curitiba de um encontro de ativismo social voluntário souberam da presença e foram lá em grupos de 10 ou 15 (Espírito Santo, Piauí, Maranhão, Bahia etc) para tirar fotos ao lado do comunicador e receber autógrafos. Quem disse que Curitiba nada tem além de Santa Felicidade para o turismo?





