LUIZ GERALDO MAZZA
Derradeira esperança
Em quase todo o País se reproduz o clima de apatia diante das eleições. Antes houve a interpretação de que a campanha só aqueceria com o horário eleitoral gratuito. O purgante cromático veio e o clima persistiu. Um ou outro conflito, como o decorrente das impugnações e de temas enfocados como no caso da segurança em Curitiba, não chegou a tirar o público da catatonia. Aí veio outra explicação: a cobertura da Olimpíada estaria eclipsando a campanha. Como ela termina hoje (muitos desejariam que isso se desse também com a campanha eleitoral) dentro em pouco o estoque de desculpas terá se esgotado.
A desmistificação das pesquisas também reduz a medida de impacto que poderiam proporcionar. Na de Curitiba haverá um aumento da amostragem de 400 para 600 eleitores, o que também não refresca, já que a margem de erro persistirá elevada num patamar, embora menor, inaceitável de 4%. Se o quadro estiver polarizado, como se insinua, ainda que a prova não seja eficaz, há a máxima complicação, uma vez que dificilmente a distância entre os postulantes principais superará esse referencial.
O pior, no entanto, é a ausência de ''punch'', pelo menos até aqui, dessa campanha. Parece que o tédio generalizado do eleitor começa a contaminar os candidatos e cabos eleitorais. Quando um Requião, por mais polêmica que seja a intervenção, ou um Cassio Taniguchi entram em cena ainda há algum turbilhão que os candidatos em si não conseguem provocar. É a prova também da tutela dos candidatos, da sua escassez de autonomia, embora Beto Richa tente explorar o filão de que está distante dos governos nos seus três níveis, o que igualmente não melhora em nada o seu desempenho.
O candidato mais rejeitado, Ângelo Vanhoni, teria derrubado, conforme as pesquisas, nas quais poucos acreditam, dois pontos. A falta de capacidade dos candidatos no exercício da sedução é manifesta e explica a apatia reinante.
BIZARRICE Requião estaria decepcionado com a falta de público nos comícios do seu candidato a prefeito, mesmo levando a dupla caipira Wiliam e Renan. Ricardo Prefeito, jornalista, acrescentou: e mais outra dupla Pessuti e Caíto, o primeiro canta e toca, o segundo declama poemas gauchescos. Nunca em bingo.
AXIOMA Lula manda mensagem a cada feito de atleta brasileiro na Grécia. Se os governantes dos Esteites e da China fizessem o mesmo gastariam mais nessas comunicações do que nos dispêndios gerais dos Jogos.
EPIGRAMA O povo acredita ainda menos nas pesquisas do que nos candidatos.
FOLCLORE Na primeira eleição de Curitiba autônoma três candidatos do PTB, Júlio Rocha Xavier (pai da rapaziada do governo Requião) a deputado estadual, Gastão Vieira de Alencar a deputado federal, Estevão de Souza Neto a prefeito fizeram campanha consorciada na base da rima: ''Julinho, Estevão e Gastão// Vão ganhar a eleição!'' Havia outras: ''Julinho Rocha Xavier// é este que o povo quer'' ou ainda ''Estevão de Souza Neto// do povo é o predileto!'' Como se vê aí também a rima não foi solução, embora Julinho e Gastão vencessem.
CROMO Quando se idealiza a musa, mesmo que ela esteja com uma banana descascada na mão e pronta a comê-la, o quadro continua sublime. Aliás de musa se chega a musácea, nome científico da bananeira.
AFORÍSTICO Bastou o Macaco Simão dizer que torcer para o Brasil nos Jogos Olímpicos era como ficar a favor do jacaré em filme de Tarzan para que ganhássemos mais um ouro no iatismo e prata no futebol e no hipismo.





