Guerra fiscal


Já no governo Lerner não foram poucas as trombadas com São Paulo por causa da política de incentivos fiscais adotada. E foi ela que permitiu a expansão do nosso processo industrial diante dos paulistas inconformados com a inevitável tendência à desconcentração. À época, o secretário da Ciência e da Tecnologia, Emerson Kapaz, era o porta voz de Covas na especialidade.
No momento o próprio governador Geraldo Alckmin assumiu o comando da operação destinada, segundo ele, e haja pretensão nisso, em pôr fim à guerra fiscal, inevitável num país desigual quanto à histórica vantagem desfrutada por São Paulo e outros centros como Rio e Minas e ante o Lula que adotou uma reforma fiscal capenga. Não há pacto federativo que imunize essa relação contra subsídios, que aliás São Paulo costumeiramente usa em seu favor.
São Paulo decidiu novamente taxar mercadorias de outras unidades federativas criando fronteiras internas, tal qual as que o primeiro mundo costuma opor aos produtos e insumos dos países em desenvolvimento. A reação dos estados-membros foi de hostilidade e só faltou alguém lembrar aquela história, comum nos anos 50 e 60, de que a Paulicéia era a expressão do imperialismo interno no Brasil.
Está aí uma parada que o nosso governador, até porque tem a auxiliá-lo nessa área (uma das poucas, esclareça-se) um dos maiores tributaristas do país, o mestre Heron Arzua, seu secretário da Fazenda, deve encarar com firmeza. Essa é de maior relevância do que as urdidas contra os transgênicos, o pedágio e a ruptura de contratos. Ela é objetiva e seu efeito-demonstração pinga no Tesouro ao tempo em que sustenta o desenvolvimento não apenas da indústria pesada como da agroindústria e das atividades do comércio e da prestação de serviços de um modo geral.
A instância apropriada para metabolizar o tema é o Confaz, Conselho de Política Fazendária, integrado pelos secretários de finanças e com o aval do Ministério da Fazenda que exerce papel interativo e de monitoramento. São Paulo foi historicamente privilegiado pela União para assumir o papel de caráter geopolítico e tudo isso veio de subsídios diretos e indiretos. Como subproduto da cafeicultura, a industrialização paulista foi induzida e agora quando há uma queda relativa do seu peso na produção industrial entra em alarme para impedir que a correção gradativa dos desníveis regionais tenha a indispensável continuidade e que serve ao conjunto do País.

ELOGIO & LIMITE A bajulação também tem uma estética: o semanário ''Hora H'', volta e meia, mostra Requião como um caubói com a imagem aplicada sobre uma foto de John Wayne, trabalhos de ótima qualidade do Simon Taylor. Ontem fez com Requião sobre a imagem do iatista medalha de ouro Robert Scheidt como o campeão da geração de empregos no sul do país, o que de fato se deu. Outras modalidades (área social como educação, saúde e segurança), porém, nos tiram, como todos sabem, de qualquer classificação.
Consta que o campeão da bajulação foi um assessor de governante que puxava tanto o saco do governador que um dia ele perdeu a paciência e deu um pontapé de canhota no traseiro do áulico. Todo mundo pensou que o assessor entraria em pane e em depressão profunda em função do ocorrido, mas qual nada. Chegou bem perto do ouvido de Sua Excelência e confidenciou: ''Não me leve a mal, governador, nem pense que é exagero ou puxação de saco, pois a sua canhota está mais firme do que a do Rivelino e do Jair da Rosa Pinto!''

AFORÍSTICO Com a greve dos carteiros o governo mandará, por acaso, retirar do ar aqueles anúncios institucionais do Sedex com os postalistas encarando acrobacias, corridas, descida em pára-quedas?

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