LUIZ GERALDO MAZZA
Compulsão pelos extremos
Vivemos pendularmente entre o abuso da autoridade e o da liberdade. Embora haja uma justificativa no ciclo autoritário e no represamento das liberdades para os transbordamentos atuais, percebemos que, a despeito do razoável período de democracia, não aprendemos a buscar o equilíbrio entre esses dois pólos do exercício político.
A facilidade com que se faz chantagem com a autoridade em cima de invasões de praças de pedágio e bloqueio de estradas transformou essa banalização dos protestos numa evidência das fragilidades institucionais. Como o governo, e aí concorrem o federal e o estadual, quer posar de sensível socialmente e também de politicamente correto, instala-se o caos. Pressões do MST nas rodovias como aviso prévio de que não admitirão que o governo cumpra decisões judiciais são uma prova desse esgarçamento do tecido institucional.
Ontem tivemos um bloqueio da BR-277, altura de Balsa Nova, por causa de um tipo de manifestação claramente político-eleitoral a pretexto de denúncias contra autoridades daquele município e cobrando a intervenção do Ministério Público. O MP da comarca negou a existência de qualquer processo oriundo do Tribunal de Contas ou de iniciativa pessoal que justificasse a encenação. O público, usuário da rodovia, como acontece em outros pontos em ações do MST, ficou horas como refém da jogada e sem a ajuda policial. Ora o poder do Estado se configura no exercício da força para recompor a ordem violada. Só ele a detém como valor inconfrontável. Quando o Estado deserta do princípio da autoridade, voltamos à barbárie, ainda que exercida em nome da liberdade.
Dá a impressão que a autoridade se ausenta para que o liberticídio (isso na verdade não passa de um assassinato da liberdade na velha técnica fascista de impor-se pela intimidação) impere. É em função de episódios como esse que só se pode elogiar o esforço do advogado que ganhou a causa da Fazenda Sete Mil e não levou, e buscou a responsabilização do presidente da República ainda que saiba da inutilidade operacional do seu gesto. É que nesse há além da legalidade, por se encontrar a casuística prevista em diploma legal, o sentido da legitimidade, no mais alto grau da justiça, especialmente no caso de Balsa Nova, um abuso que pode nos conduzir ao pior dos obscurantismos.
BIZARRICE Querem ver o Brasil com mais medalhas de ouro? Ponham um máximo de modalidades de ricos como iatismo, asa delta, balonismo e golfe. Afinal o esporte deve, o quanto possível, expressar a simetria com o ''equilíbrio'' das classes sociais. Num país em que o PT é o partido mais rico tudo se explica em matéria de mimetismo político e social.
AXIOMA Uma pesquisa apresentada ontem na Fundação Getúlio Vargas com jovens mostrou que eles gostam de política, mas não dos políticos. Como nós, os veteranos. É que a política é hipótese de trabalho, político um fato pesado.
GLOSA Vão aumentar a amostragem das pesquisas em Curitiba para 600 eleitores. Ainda assim a margem de erro permanece em 4%. É o mesmo que advinhação. Mais grave de tudo é que as levamos a sério. Ou fingimos que o fazemos. O que no campo movediço da política significa exatamente a mesma coisa.
EPIGRAMA A campanha eleitoral não provoca ódio, mas tédio demais.
FOLCLORE Dois amigos, um coxa e outro atleticano, falavam do enquadramento do Giovani Gionédis pelo Ministério Público. O coxa lembrou que o Mario Celso Petraglia poderia vir a ser indiciado também. Repique do rubro-negro, um advogado: esse Atletiba eu não quero perder de jeito nenhum.
CROMO Você me parece ambígua, amarga-doce como Campari. Sorvê-la é preciso, mas sem amendoim ou castanha de caju impossível.





