LUIZ GERALDO MAZZA
Armadilha publicitária
A lavagem cerebral feita ao longo do ciclo lerneriano em Curitiba serviu apenas para mostrar que inexiste massa crítica, articulada, para enfrentá-la com um mínimo de eficiência. Há da parte dos que se apresentam como oposição uma incompetência congênita tal qual se viu mesmo no último pleito quando Vanhoni teve condições para vencer Taniguchi e se mostrou frágil até porque parecia adotar no marketing uma reverência extrema ao ''modelo''.
Não poucas pessoas se ocuparam de analisar esse processo como a arquiteta Fernanda Sanchez Garcia em seu ensaio ''A Cidade Espetáculo''. O problema carece não propriamente de material de análise e sim da falta de uma solução alternativa, como se vê nas indicações atomizadas e pontuais e cretinices vagas como essa história de fazer uma cidade para as pessoas, aí também reproduzindo aquele discurso do próprio Lerner, que tenta quebrar a rigidez do tecnicismo para um tom pretensamente humanista, tão racional quando anúncio de cerveja que desce redondo ou que refresca até pensamento. E que em nenhum dos casos é uma ''nova'' ou uma ''boa''.
Parece incrível que havendo quadros de oposição, como Luis Forte Neto, que já disputou eleições e lutou no meio acadêmico e profissional, quanto à suposta solidez das diretrizes transformadas num tabu, não tenha sido possível colocar o antimodelo ao menos por algumas indicações básicas. E somos obrigados, os eleitores, a suportar essa sucata intelectual, deseducadora e desagregadora com esses saques primários da campanha eleitoral, em que se percebe que a maioria parece não gostar da cidade pela circunstância de nem conhecê-la.
BIZARRICE - Seria pedagógico que no andamento da campanha eleitoral cada jogada infantil, primária ou burra (como a de prometer dar passe escolar de graça ou fazer baixar as tarifas dos ônibus), fosse punida na hora e na televisão, como um direito de resposta coletivo: alguém incumbido de aplicar a ''pena'' bateria com aquele cacete do Ratinho na cabeça dos gênios publicitários e políticos, autores das barbáries. Inclusive do Rubens Bueno.
AXIOMA - Caso houvesse uma olimpíada de cretinices eleitorais teríamos aqui, em Curitiba, muita medalha de ouro.
GLOSA - Curitiba é uma cidade acorrentada em condenação como o Prometeu mítico: ninguém ousa enfrentar o ''modelo'' do Lerner como se fosse sacramental. Fazê-lo seria herético quando até proporcionaria um prazer erótico.
EPIGRAMA - O primeiro que poderia ter desmistificado o modelo foi Requião: criou algumas coisas como o gerenciamento público do transporte com operação privada e a Guarda Municipal. Um ato interativo entre município e Estado iria praticar mais tarde, como governador, acertando a dívida da Cidade Industrial. No mais andou na direção da ''trombada'' do que no da composição.
FOLCLORE - Empregados da área contábil da Copel, na comemoração da seleção da empresa, entre 10 classificados, para o Prêmio Transparência de melhor balanço ouviram do diretor financeiro e dos seus assistentes que a qualidade é feito da atual gestão e que pela primeira vez a organização não pagou para obter o reconhecimento. Isso é um fato real, ocorrido ontem, mas tem tanta alegoria e absurdo (a falta de visão dos interesses permanentes da Copel) que pode ser olhado como folclórico, típico do momento que vivemos.
CROMO - Se meu coração continuar sangrando uso mercúrio cromo?
AFORÍSTICO - Pelo que se ouve falar da CPI do Banestado havia mais lava-dólar do que lava-car. Aliás muitos queriam a volta do banco que era o pote de ouro na base do arco-íris da classe política e empresários aliados.





