LUIZ GERALDO MAZZA
Um salto no escuro
Está sendo criado um clima opressivo na campanha municipal em Curitiba focada na necessidade absoluta da vitória do candidato do governador como se esse fosse uma espécie de salvador da pátria e que no caso da Capital tudo dependesse dessa aliança. O raciocínio é fascistóide e lembra um empregado na campanha de Saul Raiz contra José Richa na fase de transição para a democracia. A colocação nos outdoors era assim: Saul Raiz ou um salto no escuro. Criava-se a idéia do pasmo, de uma incapacidade de origem, orgânica, para governar e que essa virtude só teriam os homens do neyismo. Como o PMDB tinha melhorado, em quadros e QI com o ingresso do pessoal do PP (ao qual eram ligados Canet Júnior e Affonso Camargo Neto), e detinha militância engajada e voluntária com baixa cota de mercenarismo, ela respondeu mexendo na propaganda e pondo uma vírgula adiante de Saul e deixando o ''salto no escuro''.
Nos padrões de hoje, com o nível de baixaria da moda, era bem possível que colocassem assalto em lugar de ''salto''. Como a escassez de escrúpulos é marca dominante nos políticos, especialmente quando se sentem perto da derrota, a forma como o PDS colocou o problema no início dos anos oitenta, a do salvacionismo, do ''crê ou morre'', é muito parecida com o tom dado como condição indispensável para a vida da cidade, o vínculo entre os dois níveis de governo, nos dias de hoje. Obscurantismo elevado à sublimidade.
Ocorre que para a democracia e a bem da diversidade política esse dado de diferença de origem partidária dos governos estadual e municipal é altamente educadora. Até porque no caso de Curitiba é visível a melhora de padrões gerenciais e nichos de excelência do que os do Estado, situação que nem se alterou quando o PMDB, por duas vezes, uma por nomeação e outra por eleição, esteve no comando municipal. É verdade que nessas ocasiões estava também no Palácio Iguaçu.
BIZARRICE - Qual dessas atletas olímpicas seria nossa musa: Edinancy, do judô; Janeth, do basquete; Adriana Behar, do vôlei de praia; Formiga, do futebol? Olha, está mais ou menos parecido com a escolha do prefeito da Capital.
AXIOMA - O MST recebe milhões do Governo Lula e não presta contas. Invade terras e sabe que não sofrerá sanções. Não é uma chantagem, mas uma santagem, já que tem apoios de raiz na Igreja para tudo o que faz com absolvição prévia e indulgências plenárias pelo resto da vida.
GLOSA - Não criminalizar o MST não significa beatificá-lo. Na cultura nacional, no entanto, a virtude está justamente na ambivalência.
EPIGRAMA - O ''Esta é a sua vida'' do Beto Richa já foi reprisado mais vezes do que a vitória do Scheidt no iatismo nas Olimpíadas. Medalha de lata na certa.
VINHETA - Há uma paranóia, em certos setores, quanto ao que supostamente pretende o PT. Assim, por exemplo, o slogan-chave da campanha de Vanhoni, para alguns, é a referência ao sucesso carnavalesco dos anos quarenta, interpretado por Oscarito, e cujo início era assim, gaguejado: ''Tá, tá, tá na hora// Vá, vá, vale tudo agora...'' Acham que o vale-tudo já começou.
FOLCLORE - Depois dos feitos de Jadel Gregório e da Dayane pegando o quinto lugar, o brasileiro, sempre triunfalista, mas na adversidade inconformista (e que passa a reprovar seus ídolos), a palavra amarga do patriota: o Brasil foi para o quinto dos infernos. Como se estar em quinto numa seleção dessas não fosse algo relevante. ''Em quinto nem entra na Libertadores''. A mente futebolística parece comandar o espetáculo.
CROMO - Se a mulher for intensa no amor como é no trabalho jamais lembrará um vulcão extinto como rosa ardente e abrasiva que é.





