Pesquisa contestável

Toda pesquisa, como a de Curitiba, que apresentar margem de erro de quase cinco pontos (para ser exato 4,9), está mais próxima da advinhação e do chute por mais bem detalhada que seja a metodologia. Obviamente isso decorre da escassa representatividade, num universo superior a um milhão e cem mil eleitores, de uma amostragem pouco maior do que quatrocentas pessoas. Não basta alegar que há autoridade do Ibope por trás de tudo isso, até porque o instituto foi severamente acusado de ter manipulado números, extremamente flácidos exigindo urgente lipoaspiração, e que praticamente determinaram a vitória dentro do PMDB, no quesito relativo aos níveis de rejeição, do grupo que defendia aliança ao PT. O fato foi levado até ao tribunal eleitoral para que se ligasse no monitoramento de pesquisas que podem manipular o eleitor.
Qualquer análise, por mais bem verbalizada que seja, é inútil diante daquela distorção básica: cinco pontos é dose demais, como desvio em erro, para ser aceita. É evidente que alguns aspectos da pesquisa, e dentre eles aquele que confirma até agora a polarização, podem ser levados em conta. Todavia como a diferença entre os dois dianteiros é próxima dessa margem tudo fica seriamente prejudicado. Além do mais os números entre a sondagem recente e a anterior praticamente se repetiram e um detalhe salta à vista: o candidato Vanhoni detém maior margem de rejeição do que a de aprovação. Só que, existindo o risco da margem de erro, isso também passa a ter validade relativa, mesmo que pela repetição confirme a rejeição ao líder e mostre que nesse aspecto ganhou dois pontos e que Beto Richa sofreu aumento, talvez uma transferência.
Toda a exegese que buscar explicações axiomáticas sobre o quadro eleitoral estará prejudicada por um dado insanável, incontornável. Se o limite da amostra decorre de economia, o que é bem possível, percebe-se que se for mantida tudo o que se imaginar, até na base da intuição, terá tantas ou mais possibilidades de acertar quanto o suposto oráculo ibopeano.
BIZARRICE Como Requião disse no programa eleitoral que a solução do problema da falta de segurança virá com a integração entre o aparelho de Estado e a Guarda Municipal pode-se esperar que ele próprio a acumule como fez no início de sua gestão com a polícia.
AXIOMA E naquelas prefeituras em que o governo estadual é aliado do prefeito por que as coisas não funcionam? Foz do Iguaçu é uma das cidades mais violentas do país em termos de assassinatos, sequestros e assaltos. Londrina é outra clara referência. Idem Maringá e Ponta Grossa.
GLOSA Essa pesquisa Ibope sobre a eleição em Curitiba parece repetir a Esfinge que devorava os que tentavam decifrá-la. Há muito mais de cinco por cento de possibilidade de acontecer o devoramento.
EPIGRAMA Pior do que dopping é o Cavalo de Tróia participar das Olimpíadas, tanto na modalidade de hipismo como na de pólo, e ainda por cima em favor dos gregos. Seria o futuro não o presente de grego.
FOLCLORE Logo na abertura do governo, Requião foi cuidando de processar integrantes da equipe de Lerner. O cerco foi apertando e saíram as primeiras prisões. Um dos visados era Giovani Gionédis. Como hoje integra a aliança em favor de Vanhoni, a Requião só resta, como líder maior, prender a atenção do Gionédis.
CROMO Na extrema escuridão das regiões abissais do oceano o que as ilumina é o lusco-fusco da fosforescência da fauna.
AFORÍSTICO Dois delegados, primeiro o Vinicius Martins, que sofreu um sequestro-relâmpago, e depois o Marcus Michelotto, do Cope, foram alvo de ações criminosas. Espera-se que com os constrangimentos, sem falar nos que estão sendo assassinados, o governo se mexa. Afinal a polícia está a mercê dos delinquentes mais ousados e organizados que o Estado.

mockup