Descompromisso com o real

O PMDB já foi eleito por fenômenos psicossociais abrangentes como no caso do Plano Cruzado e beneficiado, também, pelas implicações do Plano Real. Essas respostas do governador Requião no programa eleitoral da aliança para a área de segurança (que é de sua estrita responsabilidade) provam o descompromisso com a realidade, sugerindo que a incontrolável violência só será contida se Vanhoni ganhar a eleição e com isso houver a integração da Guarda Municipal.
Silogisticamente sugere que no elo da corrente para enfrentar o crime, hoje em ascendente expansão, está faltando o apoio municipal que seria decisivo. Ocorre que nas áreas municipais, onde o governo tem aliados e correligionários como em Foz do Iguaçu não se captou essa integração. Tanto que Foz do Iguaçu é, na relação de crime por 100 mil habitantes, uma das taxas mais elevadas de criminalidade do país como estudos específicos demonstraram.
Se o governador quis fazer um exercício de ironia com o tema até que tem toda razão, já que a questão da segurança é mais da União e do estado-membro do que do município, ainda que se entenda uma atuação complementar que pode ser feita pela Guarda Municipal que ele próprio criou em Curitiba, quando prefeito. Ao mostrar diagramas de como se faria essa corrente de integração PM, polícia civil, bombeiros, mais Guarda Municipal até lembrava o Lerner com aquelas garatujas dos anéis de integração. Ora, o público pode ser ingênuo, mas não ao ponto de assimilar um sofisma desse porte. Investidas do gênero podem até dar resultado como desculpa esfarrada, mas visivelmente deseducam o eleitorado.
Essa é uma questão relevante: a frequência de eleições deveria melhorar os níveis de politização da cidadania. Todavia o que se vê é jogar sempre com o emocional das pessoas e isso de forma geral, não se tratando apenas do nosso governador. Quem levanta questões como a do poder nacional no caso dos poços leiloados da Petrobras não pode transformar a segurança, nosso maior problema, num campo de exploração impressionista e um joguinho de abstrações. Que aliás começou com a sua inútil acumulação do posto secretarial no início da gestão. Tão alegórica quanto o tótem de Lerner.
BIZARRICE - A insistência da reprodução daquela chatice sobre a vida de Beto Richa irritou até os correligionários. Alguns chamaram o saque mercadológico de ''rixaropice''.
AXIOMA - Numa declaração gravada em Paranaguá o governador diz que só tem dois amigos na cidade: o Ogarito e o Zé Gotinha, candidatos a prefeito e vice. O primeiro-irmão não está na lista nem Mario Lobo, diretores do Porto na primeira e segunda gestões. Pode ser um ato falho ou um julgamento.
GLOSA - Não é só o governo paranaense, desde Ney Braga, que tem uma ilha, no caso a das Cobras. Consta, segundo especulações paranaguenses, que Cassio Taniguchi está autorizado a ocupar uma na baía de Paranaguá.
FOLCLORE - Há uma piada sobre a Teoria da Relatividade segundo a qual só 12 pessoas no mundo a entendiam. Só que uma não conhecia a outra. Mais ou menos isso é o que se diz da obra ''Catatau'' de Paulo Leminski, tal o mistério dos significados dessa incursão meio ''joyceana'' do criativo polaco. Pois no dia 24, terça-feira, A Travessa dos Editores relança a obra, acompanhada de textos acadêmicos de mestrado e pós-graduação. Com essas análises, a piada perde o sentido, já que pelo menos duas mestras fazem a exegese do texto, desmistificando-lhe o seu suposto hermetismo.

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