O maior dos ônus

De todos os problemas que afligem os brasileiros e que afloram na campanha eleitoral nenhum deles supera o da segurança. Aqui no Paraná a gravidade do caso é tratada na base da prestidigitação e isso já ocorria sob o governo anterior, quando Lerner, num daqueles rasgos de criatividade, que fica na linde da idiotice com a sublimidade, inventou o tótem para sustentar nas pessoas a ''impressão'' de se sentirem seguras.
E como ninguém tem, na verdade, uma solução cartesiana para o problema, dado o caráter multifacetado de suas causas, há uma espécie de ''happening'' em cima da questão. Experiências anteriores rememoradas, como a dos módulos, que se revelaram frágeis ou a do policiamento volante ostensivo da primeira gestão de Requião e que não deu certo, inclusive, pelas deficiências de comunicação, embora com um discurso de justificação mais refinado do que a praxis, fundado na idéia do policial da vizinhança no enlace comunitário.
Como a campanha eleitoral é um pátio de milagres todos deitam e rolam em cima do tema que a rigor, apenas complementarmente, seria municipal. O primeiro deles foi o deputado Mauro Moraes que fez carreatas de protesto, depois veio o Osmar Bertoldi botando em cena até o ex-prefeito de Nova York como se nossos padrões institucionais e civilizatórios fossem assemelhados.
Anteontem à noite, no programa eleitoral, Requião apontou o culpado: a falta de colaboração da Guarda Municipal, sugerindo que isso só é possível com a eleição de Vanhoni. Ora, Requião fez um carnaval, logo no início da atual gestão, ao acumular a condição de governador com a de xerife, que é claramente proibida na Constituição Federal, causa até de perda de mandato. Não deteve a violência e nem inibiu o que chamava de ''banda podre''. E dificultou todas as iniciativas no sentido de a PM treinar os guardas municipais no manuseio de armas. Lerner criou o tótem, Requião tentou substituí-lo (o símbolo). E o tótem ainda está aí como alegoria da inutilidade operacional a expressar, metaforicamente, o que é o próprio sistema de segurança no Paraná.
Diante dessa fatalidade, a saída é o escapismo, a fantasia, o discurso.
BIZARRICE O deputado federal Gustavo Fruet tem muito pouco do pai em matéria de estilo: sofisticado intelectualmente, pouco dado a blague, agora mostrou notável senso de humor ao chamar a MP que dá blindagem ao presidente do Banco Central de ''Lei Henricota''. E explica: ela lembra em tudo a Lei Terezoca do ditador Getúlio Vargas em 1942 para beneficiar o dono dos Associados, Assis Chateaubriand. Ocorre que Chatô, casado com Maria Henriqueta, teve uma filha com a atriz Cora Cunha e Getúlio o favoreceu garantindo-lhe, via decreto, a guarda da criança. ''O governo federal parece estar homenageando Getúlio nos 50 anos de sua morte com a versão Henricota da histórica Terezoca ao mesmo tempo em que expulsa um jornalista e tenta recriar o DIP'' conclui o deputado federal.
AXIOMA Governos não se emendam: o fato de o balanço da Copel estar entre os dez mais transparentes do Brasil é badalado como se fosse algo inusitado e obra dos inspirados dias que vivemos. Em cinco dos seis anos de Lerner, a Copel levou esse prêmio sistematicamente. Transparência demais cega.
GLOSA Aposentados da Copel devem estar super apreensivos: além da taxação, decidida pelo STF, tiveram aumento astronômicos em seus seguros.
EPIGRAMA Xuxa foi pra final? Não, apenas a Angélica. É o que dá confundir clima de Olimpíada com piada.
FOLCLORE Nos anos setenta fiz uma reportagem sobre a Boca Maldita de Curitiba na revista ''Panorama'' e me referi às congêneres do norte, sul e litoral. Um tópico especial era dedicado a Antonina e ao bar do Coralo. O Guilhobel Camargo, pai do crítico permanente de Requião, e líder daquele espaço, mandou mensagem telegráfica para mim, pela referência feita, e a expediu para a ''Boca''. Pois, por incrível que pareça, o que hoje aparece nos anúncios do Sedex aconteceu: o postalista me entregou a mensagem pessoalmente.
CROMO A cintilação da pedra é o seu respirar, sua resistência a condenação à inércia. Atirá-la no pecador é medida mística e jurídica. Contemplá-la na estrada à moda de Drummond é poesia e também filosofia.
AFORÍSTICO Pelo jeito aqui só há duas hipóteses, a de vassalo ou inimigo. Nada tem de democrático, mas se insere na prática brasileira, seja em regime legal ou na ditadura, que no Brasil se confundem.

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