Soma de Bovê e Le Pen


Incrível a forma como a ideologia brasileira, mesmo à esquerda, ficou minada por referenciais do universo retrô, seja nas ações do Bovê, arcaísmo francês, guerreando instalações do McDonald ou lavouras transgênicas, volta e meia bem glorificado no Fórum Social de Porto Alegre, e as inclinações em direção a outro símbolo do atraso, o Le Pen, a direita francesa.
Não se deve cometer a injustiça de enquadrar o nosso governador nessa linha, apesar de o ''idealismo'' nacionalista fundamentar a sua postura no caso dos leilões de poços da Petrobras. Há uma ingenuidade gritante nessa história de dizer que o petróleo não pode ser olhado como uma ''commoditie'', a única e exata dimensão que tem como produto e que já quase nos levou para o saco com os dois choques (1973 e 1979) que abalaram a economia mundial. Nem como metáfora pega bem atribuir outra medida ao óleo negro que não a de mercadoria como o são todos os seus demais derivados.
Como o argumento de que é referencial de soberania não mais se sustenta e não há como conferir essa aura e muito menos a de ícone religioso (o petróleo como o pão sagrado, a hóstia, e como água benta, nos dois casos distantes da mera visão terrena da commoditie), o gesto de Requião, que para alguns seguidores teria a força da resistência de Mossadegh no Irã ao imperialismo, não deixa de ter utilidade operacional por fazer aflorar essas tonalidades hoje em desgaste no mundo moderno, mas ainda compondo o painel do imaginário ideológico.
Outra utilidade foi mostrar a obviedade da ''insegurança jurídica'' que marca a realidade brasileira: se a liminar do STF poderia, como foi, ser cassada por que, afinal de contas, mereceu admissão? Se a liminar punha em risco todo o marco regulatório e poderia levar os concorrentes à perplexidade e à desistência a sua cassação devolveu apenas, temporária e parcialmente, a tranquilidade aos interessados. E Requião, valendo-se desse terreno movediço em que opera o nosso Judiciário, age muito bem em prometer o agravo. Se uma lei que mexeu com um tabu nacional, a da quebra do monopólio, em vigor há tantos anos, é sujeita a esse tipo de contestação e gera uma liminar é porque a insegurança jurídica é o nosso maior nó institucional. Sem desatá-lo não vamos a lugar algum.

BIZARRICE - Salário de juiz brasileiro só perde para o do Canadá. Na olimpíada em questão somos medalha de prata.

AXIOMA - Juízes acham que órgão apropriado para analisar a gestão do Judiciário é o STF e não o Ministério da Justiça. Está na linha do Lula que crê na eficácia de condutos corporativos como pretende em relação ao jornalismo.

GLOSA - Dá para ver a angústia do Bernardinho nos jogos do vôlei brasileiro. É de imaginar as expressões de rosto de alguém com a incumbência de controlar cortadas e bloqueios, ''aces'' e defesas dos vereadores no horário gratuito.

EPIGRAMA - O horário eleitoral é o lado insuportável da democracia. Já o otário eleitoral é o eleitor que acredita nas promessas.

SILOGISMO - De repente se implanta o trânsito democrático e com todo o rigor das assembléias participativas de usuários (pedestres e motoristas) no estilo MST.

FOLCLORE - Ontem foi um dia aziago para o governador Requião no Judiciário: perdeu o caso da Petrobras e o da Sanepar. Ainda bem que o julgamento do seu processo no Tribunal Superior Eleitoral não saiu ontem.

CROMO - O poeta Milano disse da música: se te botam palavras matam-te.

AFORÍSTICO - Hoje é o dia ''d'' dos aposentados. O governo

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