LUIZ GERALDO MAZZA
Petrobras como ícone
Consolidada e em condições de competir, a Petrobras dispensa protecionismos como os levantados por nosso governador nessa ação para contestar os leilões dos poços da Bacia de Campos nos próximos dias. Há, no entanto, muitos, e dentre eles os petroleiros, que querem um máximo de salvaguardas em nome dos interesses nacionais. Uma espécie de sedimento das pregações de origem, nas quais se encontrava o general Leônidas Cardoso, pai de Fernando Henrique, é recuperada nesses momentos.
Uma aura de quase religiosidade ao lado de um tabu ligado à soberania move a grande estatal brasileira. Se a empresa atua em outros países deveríamos entender que, embora estatal, tem tonalidades claras de multinacional. Quando Geisel, presidente da República, que tinha dirigido a estatal, anunciou a abertura do espaço brasileiro aos contratos de risco, ele o fez contristado, consciente do que havia de impactante na notícia nos meios militares.
Na trilha do contraponto a Lula, já evidenciado na ruptura de contratos e em questões como a dos transgênicos, o governador segue a fórmula estatizante, o retorno do Estado provedor, que perdeu o bonde da história, e põe o tempero nacionalista num sistema que em tudo marcha para o cosmopolitismo. Quando da oferta do governador catarinense (que está ganhando a parada dos poços na Bacia de Santos em relação ao Paraná) para que rachássemos os royalties, Requião disse que o mais importante era defender o monopólio da Petrobras, já rompido há longo tempo.
A vinda da Petrobras ao Paraná faz da estatal a maior contribuinte de ICMS com R$ 1,300 bilhão e fator chave do desenvolvimento industrial. Chegamos a pleitear em passado não muito distante o terceiro pólo petroquímico e não levamos a melhor, embora com a melhor linha de argumentação, diante do maior prestígio dos gaúchos com o que se beneficiou a Refinaria Alberto Pasqualini.
Apesar da superficialidade dos argumentos, em que pesam fatores emocionais, há alguma utilidade operacional no questionamento de Requião na medida em que faz aflorar um debate não muito comum, notadamente quando se trata de decisões estratégicas da gigantesca estatal que Roberto Campos chamava de Petrosauro.
BIZARRICE - Cores são um fator importante em campanhas eleitorais. O Ângelo Vanhoni, por exemplo, insiste em fugir do vermelho e usar o verde ou amarelo, como já fizera na eleição anterior. O mimetismo é apropriado a essas variáveis, ainda mais quando há o temor da identificação ideológica. O pior, porém, é o caso do postulante laranja, só superado por aquele capaz de revelar-se o arco-íris, não sendo necessariamente gay como aquele governador democrata de Nova Jersey que acabou renunciando, não por isso e sim por haver traído a mulher com um homem.
AXIOMA - Um dos momentos de exaltação à paz no desfile de abertura dos Jogos de Atenas foi o desfile conjunto da Coréia dividida. Emocionante, mas difícil de sair da alegoria para a concretude porque isso depende mais dos políticos e dos militares do que de praticantes de esportes. Aliás um dos fundamentos da atividade esportiva é o impulso agônico, o de ir à agonia para superar seus limites. Os limites da barreira política, no entanto, vão muito além.
FOLCLORE - O esforço dos candidatos a prefeito em Curitiba para transmitir juventude leva a exercícios de maquiage e também de fotografia. Não pretendem entrar no uso do botox que pelo menos envelheceu o senador Alvaro Dias. O que há mais tempo se vale do artifício é Mauro Moraes e com bons resultados.





