Olimpíadas e política

Como não nos livramos da ''guerra fria'', a de hoje é em cima do terrorismo e que tenta justificar violências em nome da causa, percebemos na abertura dos Jogos Olímpicos que o público deu o recado, o juízo de valor do momento, ao fazer da delegação do Iraque a mais aplaudida. Da mesma forma que no dia anterior a vitória dos iraquianos sobre os portugueses se transformou numa quase catarse coletiva. O raciocínio é simples: uma terra invadida de forma estúpida pela maior nação do mundo e engolfada na disputa do terror é capaz de dar esse testemunho de paz nos Jogos.
É dessa forma que se deve interpretar a manifestação do público que mesmo sabendo separar a disputa esportiva das controvérsias políticas percebeu, com a máxima sensibilidade, o quanto era importante a presença iraquiana. Não se pode, no entanto, impedir que a política, nem sempre em tom sereno, tenha a sua presença no espetáculo. Como nos tempos dos atletas negros ianques fazendo no ''pódium'' o gesto revolucionário dos punhos cerrados em resistência à barbárie da discriminação.
Um dos aspectos mais positivos da ''guerra fria'' anterior era justamente a emulação entre Estados Unidos da América do Norte e União Soviética, vale dizer o complexo de países do leste europeu, entre eles a Alemanha Oriental, dos mais credenciados. Às vezes tínhamos boicotes ou ainda o pior como nos atentados em Munique. Por isso a vaia de um setor do público na delegação dos ''Esteites'', embora seu sentido não esportivo, é algo compreensível e que até dá para metabolizar. Oxalá esse seja o senão máximo dos Jogos.

BIZARRICE Saque genial do jornalista Ricardo Prefeito sobre o retorno do Jacaré à campanha do PT-PMDB, sem qualquer ressentimento da retaliação linguiçal: seus colegas de coligação teriam dito na hora do afastamento apenas e tão somente ''see you later, aligator'' ou ''até mais tarde, Jacaré.''

AXIOMA O IBGE mostrou que a produção industrial paranaense caiu muito em função da paralização (para obras) da Refinaria de Araucária. Números, como dizia ontem, às vezes ajudam, às vezes atrapalham. Num determinado mês do primeiro governo Requião fez-se um estardalhaço com o ganho industrial e que se deu porque no ano anterior houve uma greve na refinaria que praticamente zerou a estatística. Bastou voltar ao normal e Requião surfou nos indicadores.

GLOSA A política é cada vez mais a arte da prestidigitação. Em Curitiba havia a crença de que com Lerner o pôr-do-sol se tornara mais deslumbrante. Como se pensou, também, que com Requião acumulando a segurança a banda podre sumiria.

EPIGRAMA O governo anuncia que policiais indiciados pela CPI das drogas vão ser processados. A demora nem sempre é pouco virtuosa. Afinal foi preciso o pontificado de João Paulo II, depois de séculos, para a Igreja admitir os crimes da Inquisição. Silogisticamente, acabou a infalibilidade papal. Graças à ponte entre Deus e a consciência humana, aí ''religada''.

FOLCLORE Anos passados, quando o Paraná estava por cima em representação nacional, uma repórter perguntou ao ministro Karlos Rischbieter se ele seria capaz de disputar uma eleição. Rischbieter (que seria Rocha Brito, conforme o general Adacto de Mello do getulismo que queria que o consul inglês Harry Blas Gomm virasse Ari Braz Gomes), ironizando, sugeriu que só disputaria por um novo Estado, o Cataraná, fusão de Santa Catarina e Paraná. A observação vinha do fato de que Rischbieter era um blumenauense paranizado, mas a reportagem levou o caso ao pé da letra dando o Cataraná como fato consumado. Nesta Folha muitos cataranaenses como João Milanez e seus sobrinhos Macarini.

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