LUIZ GERALDO MAZZA
Com a bola cheia
Se a performance de Lula preocupava os petistas, por seus efeitos eleitorais, ao ponto de boa parte dos militantes de Curitiba transformarem Requião no seu ícone maior, agora tudo mudou: a pesquisa da CNT-Sensus mostra um salto na avaliação positiva do governo de 29,4% em junho para 38,2% em agosto, enquanto a negativa caía de 24% para 17%. É uma sinalização boa para candidatos oficiais, ainda que decorra certamente dessa ''bolha'' de reação na economia até porque se dá em meio a um oceano de denúncias.
Assim, pois, se as provocações de Requião fazendo contraponto às posições de Lula na ruptura de contratos, na novela dos transgênicos e agora nessa de opor-se ao leilão dos poços de petróleo, era bem recebida pela ''esquerda'' (na verdade uma variante, menos primária, do que o chavismo, mas inteiramente comprometida na raiz pelo populismo), hoje o cenário muda com a sondagem. Até ontem, antes da divulgação desses créditos, Lula, na Capital, era menos cabo eleitoral do que Requião e Taniguchi, quase empatados.
A ''escolinha'' ontem foi um desses cenários de provocação ao gosto do nosso governador: o economista César Benjamin, um dos fundadores do PT, brilhante na exposição, mas frágil como os demais em apontar saídas para a armadilha em que o Brasil caiu diante do Consenso de Washington e na qual Lula está mais à direita do que seu antecessor, FHC, melhorou o QI dos frágeis quadros do governo. Como, aliás, já havia acontecido com outros críticos do oficialismo federal como o sociólogo Francisco de Oliveira e o professor que pensa em inglês e não fala em português, sem o sotaque europeu, Mangabeira Unger. Pena que nesse governo (tirando as exceções de praxe como Heron Arzua, Reinhold Stephanes e Renato Adur, embora nenhum deles tenha sofisticação de ''scholar'' como havia tantos na gestão anterior) o nivelamento por baixo coloca a equipe em maioria diante de uma atmosfera de Lima Barreto, aquela do homem que falava javanês. Benjamin elogiou Requião pela ação contra a Petrobras e que poderá encontrar receptividade entre petroleiros, militares e a fauna nacionalista, o que dificilmente levará a ex-guerrilheira Dilma Roussef a mudar de posição.
BIZARRICE - Muita crítica ao fato de o jornalista Fábio Campana ter feito uma crônica como se tivesse visto o debate, embora o seu jornal circulasse antes do acontecimento. Advinhar que debate é insosso e leva o eleitor a dormir é a previsão do óbvio. Também na revista ''Idéias'' um ensaio do jornalista dá o tema da capa: um cidadão entregue ao sono e com o título ''conversa mole para eleitor dormir''. Essa previsão é de um mês e meio antes. Poderia ser de ano.
AXIOMA - No Governo Lupion a ''escolinha'' tinha mais massa cinzenta e secretários cruzavam depoimentos sobre a realidade paranaense com os quadros recrutados na universidade. É impensável dar palestras como se fazia para as comitivas da Escola Superior de Guerra ou do Estado Maior pelo time de agora.
GLOSA - Como o Ratinho deve ser um dos cabos eleitorais mais fortes do PPS, o partido poderia trocar as maçãs reluzentes por queijo no voto limpo.
EPIGRAMA - Vai sair em breve um livro de Laércio Souto Maior sobre as poesias e até arte de cordel a respeito de Prestes. Recebeu de um filho do Cavaleiro da Esperança uma preciosidade: a foto de um comício na Espanha, conflagrada pela Guerra Civil, do poeta e mártir Garcia Lorca pela liberdade do brasileiro.
FOLCLORE - A pesquisa Sensus mostra que embora surfando num mar de denúncias o presidente Lula está numa boa. O denuncismo pode estar com estresse, fadiga do material e operar como bumerangue.





