LUIZ GERALDO MAZZA
Ideologia e modelo
O governador Roberto Requião retomou a linha de operar como antiparadigma de Lula. Jamais se mostrou conformado com o livre comércio de energia e criou, desde o início das discussões, a postura de opor-se ao modelo nacional adotado e tanto que chegou a convidar a ministra das Minas e Energia, Dilma Roussef, a acompanhá-lo na viagem ao Texas e que usou como pano de fundo de sua defesa dos interesses da Copel.
Agora como a ministra pleiteou desembaraço mais rápido por órgão ambientais do licenciamento das usinas de médio e pequeno porte, o diretor do Instituto Ambiental do Paraná, Rasca Rodrigues, declarou que a questão é inegociável não apenas nas cautelas ecológicas como no fundamento político da resistência do Paraná ao modelo adotado nacionalmente. ''Uma questão ideológica'' e que se funda na hostilidade aberta ao modelo desestatizante.
E tem mais: a ideologia permeia também a posição de Requião no concernente ao veto ao leilão de poços que a Petrobras não pode explorar por falta de recursos. É a tonalidade nacionalista, típica dos anos 50, época aliás, da criação da Petrobras e da Eletrobras e da fábrica de ideologias do ISEB, Instituto Superior de Estudos Brasileiros, e que operava como contraponto aos rigores da Escola Superior de Guerra nas razões geopolíticas.
Não deixa de ser curioso que a linha de argumentação de Requião encontre forte apoio nos setores históricos do PT, hoje um tanto quanto isolados com a adernada do partido ao pragmatismo de centro-direita e de bom mocismo diante das fórmulas do Consenso de Washington, do FMI e Banco Mundial. Ao recuperar tais tonalidades a do nacionalismo, das estatais e de ajustamento crítico ao cosmopolitismo da globalização o governador põe em debate toda a filosofia e doutrina do sistema e em condições até de fazer algum proselitismo. Há, porém, uma deficiência nisso: inexiste um corpo de doutrina, bem articulado, em cima desses temas, mas simplesmente o apego do governador a posições emocionais como a dos transgênicos e de rupturas contratuais como a do pedágio. Vale dizer que se escuda em ''slogans'' e superficialidades, talvez mesmo por uma clara incapacidade de aprofundá-las em relação às teorias dominantes.
DESPERDÍCIO Candidatos à Prefeitura de Curitiba, de um modo geral, se saíram mal nas entrevistas na Rede Paranaense de Comunicação (afiliada da Globo no Estado), à exceção de dois: o Osmar Bertoldi, o melhor de todos, e Beto Richa, quase no mesmo plano do pefelista que pareceu com melhor domínio das propostas e conhecimento dos problemas da cidade.
O líder das pesquisas, Vanhoni, fez lembrar o apelido que recebeu no passado de ''Vanhóvni'', tal o seu desligamento, postura de entediado. Outro, em que tantos apostam como o mais credenciado a crescer, Rubens Bueno, parecia o craque Alex nas horas em que se desliga. Só que quando o Alex se liga acaba compensando com genialidades. Rubens não se ligou.
Por que Vanhóvni? O apelido veio de setores do próprio PT com o excesso de diplomacia, a conduta light diante dos feitos de Lerner na cidade, o que o colocava no horizonte de um objeto voador não identificado. Quase ganhou e muitos acham que perdeu por falta exatamente de mínima contundência.
OS ELEITORES A decisão de Requião de não viajar é pertinente, notadamente em relação à conquista de Curitiba, velha obsessão. Ocorre que travará luta contra Cassio Taniguchi que tem uma pontuação no Ibope quase igual a dele, ambos bem à frente de Lula. Enquanto Requião jamais conseguiu transferir seu prestígio a candidatos que apoiou (todos perderam), tal não se dá com o grupo liderado por Lerner que fez sucessores, o que pode ocorrer com Taniguchi.





