O menos pobre

Nos anos de 1992 o índice de pobreza do Paraná era de 40.8%, conforme o IBGE, e em 2002 passou para 24%. Quer dizer melhoramos substancialmente do terceiro ano da gestão Requião, a primeira, passando pela transição de Mario Pereira, e decolando efetivamente nos oito anos do Governo Lerner. Foi a constatação desses números que levou o IBGE a concluir ter sido o Paraná o Estado brasileiro que mais reduziu a pobreza de sua população.
Embora nem tudo o que o ''marketing'' oficial decantava fosse verdadeiro como a suposta, e nunca demonstrada, retirada de 70 mil crianças das ruas ou ainda os propalados 900 mil empregos que teriam sido criados, o Paraná é agora, ainda na visão do IBGE, o terceiro no ''ranking'' nacional atrás de Santa Catarina e São Paulo. O que teria provocado esse efeito, de acordo com esses estudos, foram a soma do desenvolvimento da economia com a adoção de políticas públicas na última década como fatores principais para a redução da pobreza e consequentemente da miséria.
Para os políticos, sejam eles Jaime Lerner ou Requião, Alvaro Dias ou outro qualquer, a preocupação é viver o momento e tirar o máximo em termos da mais pura e desavergonhada propaganda. Mas o que interessa para a sociedade é o sedimento, o limo desse processo continuado, jamais unipessoal. E é nesse sentido que pesquisas como essas mostram a vacuidade desses personalismos e do triunfalismo que as fundamenta. O processo civilizatório é contínuo, não dá grandes saltos a não ser em condições muito especiais e esse resultado deveria servir não para explosões de narcisismo dos adeptos de Lerner e sim para ver tudo com a maior humildade até porque só na cabeça dos políticos e demagogos é que o governo, à maneira de um patriarca bíblico, seria o ator principal dessa história comum.

BIZARRICE - Da mesma maneira como os homens-bomba do mundo muçulmano, há em nossa política os ''mártires do D.A.S.'' e também os da linguiça. Por um D.A.S. valem todos os sacrifícios até o de brigar por linguiçada.

AXIOMA - Pode ser que o QI político do curitibano não melhore nessa campanha eleitoral. Mas com tanto risoto e polenta em Santa Felicidade nos regabofes intermináveis (ontem houve três) por certo haverá considerável aumento na taxa de colesterol e também de ácido úrico de todos. Candidatos com gota poderão transbordar. Da gota para o litro.

GLOSA - Um dos absurdos do processo de desenvolvimento é o que estabelece uma dicotomia entre o ''econômico'' e o ''social'' como já denunciava o padre Lebret, cuja filosofia humanista tanto influenciou a doutrina de planejamento do Paraná. A recente pesquisa do IBGE, ao revelar a queda sensível dos níveis de pobreza no Paraná, mostra que as políticas públicas é que podem corrigir as distorções do crescimento, mesmo quando aparentam assistencialismo como nos casos dos subsídios de água e energia elétrica, que aliás sempre existiram, e na novidade atual do programa do leite como também a da super-sopa da Fani Lerner, fortemente nutritiva.

EPIGRAMA - A criatividade é a marca dos nossos dias: amanhã, na Boca Maldita, teremos o grito ''o petróleo é nosso''. E não é o caso dos ''royalties'' com Santa Catarina pelos quais Luis Henrique estaria disposto a negociar na base do meio a meio com o Paraná.

FOLCLORE - Falam tanto em ''homem-bomba'' por causa do terror globalizado mas lá por setembro ninguém mais vai suportar o esforço de sedução de vereadores e prefeitos. Eles nos fazem explodir as partes baixas.

CROMO - O amor é desfrute e entrega: as dosagens entre um e outro pólo mudam de pessoa para pessoa. Terrível, mas dominante, é o amor a um, no qual não há espaço para a alteridade, Narciso leva à exacerbação.

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