LUIZ GERALDO MAZZA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de agosto de 2004
Apatia irremovível 
Apesar da gravidade dos problemas comuns às metrópoles é surpreendente a indiferença com relação às eleições em Curitiba. Por mais que se esforcem os militantes, se é que existem, afora profissionais ou defensores de cargos de confiança, o público tende a transformar esse sentimento de desinteresse em aberta hostilidade, tal o ceticismo dominante.
Há quem acredite que essa inércia, que não foi rompida com as convenções dos partidos e coligações, deva ser abruptamente superada com o início da campanha no rádio e na tevê nesta segunda quinzena. Haverá, portanto, e isso na visão dos estrategistas, no fluir das propostas, que virão como sempre com aquele insuportável glamour das montagens pasteurizadas, o aquecimento do processo.
Estamos no momento com as entrevistas dos candidatos diariamente nos meios de comunicação, tanto os impressos como os eletrônicos, e nada disso foi suficiente para um sinal de vitalidade, a não ser na troca de denúncias e que levam a apreensão de jornais e volantes por infração das regras eleitorais. E é conhecendo o peso dessa resistência que os marqueteiros tentarão operar o milagre de transformar em agitados sambistas um eleitorado de catatônicos.
BIZARRICE - Segundo o deputado Bradock políticos normalmente são classificados como ladrões, cornos e bichas e que ele entrou em outra ordem de qualificação - a de ''comedorzinho''. A declaração foi dada na rádio CBN. Em qualquer país civilizado o fraseado daria motivo a um procedimento por quebra de decoro parlamentar, ainda que o autor alegasse estar tirando sarro dos que pretenderam enquadrá-lo na Corregedoria em função da denúncia de haver agredido a sua ex-secretária de gabinete, Elise Araújo.
AXIOMA - E que tal se esse festival de invasões de terras se transformar numa gigantesca operação imobiliária em cima dos bilhões que envolverá? No Brasil tudo é possível em refinamento na deturpação. Se as desconfianças existem contra dirigentes do Banco Central e do Banco do Brasil por que não haveria tal hipótese, ainda mais depois daquela ONG, a Ágora, ligada ao PT e que movimentava verbas oficiais?
GLOSA - Bradock já foi alertando seus colegas sobre questões semelhantes ao perguntar ironicamente se só ele enfrentava aquelas particularidades. Dá para apostar que nada se fará. Afinal se ele pintou o gabinete com aquelas camuflagens do Rambo, e o Hermas Brandão o permitiu, o que esperar?
EPIGRAMA - A utopia retrô do nacionalismo volta com toda força: Requião quer impedir o leilão dos poços da Petrobras. A Petrobras é um gigante livre demais num país empobrecido e não precisa de tutela. Há muito é multinacional nos países em que opera. A sociedade brasileira é que precisa defender-se. Ela, a estatal, indenizou o Paraná pelos desastres ecológicos que provocou?
VINHETA - Dois colecionadores entregaram ontem na Polícia Federal nada menos de 104 armas. Outro dia a Ruth Bolognese cobrou um comportamento semelhante da parte de um colecionador que acumula o cargo de governador. Como o primeiro dos servidores, a medida teria intensa e generosa repercussão.
FOLCLORE - O presidente Ivo Tomazoni, da Assembléia Legislativa, vê a porta do seu gabinete abrir-se. É o deputado estadual Maurício Fruet que lhe pergunta se aprecia pato. Dada a resposta afirmativa, Fruet lança dois patos em direção da mesa presidencial e promete ir lá fora buscar mais.
CROMO - Procurei me ver em seus olhos e lá estava uma névoa, nada mais.
AFORÍSTICO - Na porta dos comitês do PT o aviso: entre sem bater.


