LUIZ GERALDO MAZZA
Radar maniqueísta
Alertado para o fato de que há mais concentração de radares por número de veículos em Ponta Grossa do que em Curitiba, o governador Requião saiu com uma bem ao seu estilo ao sugerir que há radares objetivos e sérios e outros mais maliciosos e sacanas. Só faltou a dicotomia ideológica entre ''direita'' e ''esquerda'', ''reacionário'' e ''progressista'', da canalha imperialista e burguesa e dos ligados sinceramente ao povo.
Essa deseducação política, feita de forma sistemática, é prova do nosso atraso e da identificação que lideranças populistas têm com o primarismo como forma de sugerir uma aliança inquebrantável com essa visão demagógica e que é nutrida pelo cortejamento servil, aparente é claro, do que seriam as supostas demandas dos destituídos.
Anteontem, por exemplo, o governador transformou em solenidade as obras de restauração do Centro Cívico, chamando a operação de ''desata nós''. Ora foi precisamente no seu governo, o primeiro, que a obra acabou paralisada em função da pressão do Decom, tocado pelo ex-deputado Luiz Henrique Bonaturra, em cima da construtora Cotelli. À época da interdição e, na sequência, houve a cogitação de implodir toda a construção e perdeu-se muito tempo sem saber o que fazer.
Os nós do pedágio e dos produtos transgênicos, quase transformados num tipo de Nó Górdio, não desatável, estão aí. Como também o problema insolúvel da segurança, a frouxidão metodológica diante das invasões de terras (embora devamos tudo em termos de evolução econômica ao agronegócio), as crônicas deficiências dos corredores de exportação e do terminal portuário.
Porque se o governo criar primeiro os nós para depois prometer desatá-los, acabará se transformando numa espécie de Penélope à espera de Ulysses tecendo e descosturando um tapete como se esse fosse o absurdo e implacável destino.
BIZARRICE - O ''quebra-pau'' havido na inauguração do comitê de Vanhoni entre peemedebistas e petistas provou que os primeiros são mais fisiológicos e estes mais ideológicos. Daí por que o PMDB levou a melhor no braço.
AXIOMA - A briga começou porque um petista se adiantou em pegar a linguiçada. Seu gesto não foi entendido: fiel às metáforas de Lula, ele queria saber o que Von Bismarck quis dizer com a semelhança na feitura de leis e de linguiças.
GLOSA - Se até no movimento sem-terra já existem tantas dissidências, a troco de que não haveria uma nessa aliança artificiosa e oportunista entre PMDB e PT?
EPIGRAMA - E agora PMDB e PT mostraram que dão o braço a torcer. O dos outros.
VINHETA - Diz-se que esse conflito entre PT e PMDB vem do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça.
FOLCLORE - A briga entre petistas e peemedebistas, que mal começou, pois terá desdobramentos na luta por espaços nos bairros, teve seu início quando um militante requianista, imitando-lhe o estilo, fez aquele folguedo infantil que é aberto com a pergunta ''quem tirou o toicinho daqui?'' E segue com resposta ''foi o gato'' e outra pergunta ''cadê o gato?'' e segue com a indicação de que ''foi pro mato''. Que pegou fogo, a água apagou, a água o boi bebeu, e está amassando o trigo que a galinha comeu e que agora está botando ovos e assim por diante. O pau começou na primeira pergunta: a do toicinho, já que a maioria está por fora do folclore vetusto.
AFORÍSTICO - Quem botou, afinal, a mão na linguiça?





