LUIZ GERALDO MAZZA
Pesquisa manipulada
A denúncia do deputado federal Gustavo Fruet de que a pesquisa de maio do Ibope foi altamente manipulada e dirigida para detonar a tese da candidatura própria do PMDB parece ter fundamento. No confronto com a sondagem recente do mesmo instituto percebe-se que os números relativos às taxas de rejeição eram extremamente exagerados e atingiam, em particular, os postulantes Rafael Greca e Gustavo Fruet. O primeiro aparecia com 5% de intenções de voto e com uma rejeição com elefantíase de 63% e o segundo tinha 4% e 44% respectivamente. Algo assim inadmissível para figuras com o grau de conhecimento que ambos detêm.
De um modo geral todos os indicadores numéricos da rejeição extrapolam e o próprio Vanhoni aparece com 40%, Beto Richa com 42%, Mauro Moraes com 43%, Rubens Bueno com 39% e Luciano Ducci com 35%. Todos eles, se verdadeiros esses índices, correriam o risco de apedrejamento na rua e sem condições até de perambularem pela cidade sem guarda-costas e carros blindados.
A rejeição apontada pela mais recente pesquisa é bem mais palatável e dentro das medidas da razoabilidade e assim mesmo muito maior do que a intenção de votos, à exceção do Beto Richa. Rubens Bueno, por exemplo, aparece hoje com uma rejeição de 9% e 8% de intenções de votos. Na outra estava com 39% de rejeição e isso numa distância inferior a dois meses.
O Ibope já havia antes, no caso paulista, numa diferença de uma semana, colocado numa pesquisa para o PT a Marta Suplicy na frente e numa outra em favor de outra instituição contratada com a prefeita em terceiro lugar. Não é crível que esses episódios passem despercebidos pela justiça e principalmente pelos maiores interessados, os partidos políticos e as coligações.
Não se trata de realimentar o debate em torno do poder de indução do eleitor nessas sondagens porque são necessárias e adotadas no mundo inteiro. Volta e meia aparecem denúncias como essa do melhor parlamentar federal do Paraná e que precisam ser devidamente observadas.
BIZARRICE Quanto mais se intensificarem medidas judiciais contra Belinati sem resultado concreto ele mais se beneficiará. O vitimalismo é doença nacional. E é tão ligado em seu populismo que será bem capaz de exibir na campanha eleitoral as imagens de sua prisão para comover a galera.
AXIOMA Se era tão simples o acordo para baixar as tarifas com a dispensa do seguro-garantia por que não se fez isso antes e com todas as pedagiadas? Seria menos caro, menos tenso e com efeitos políticos mais positivos.
GLOSA A regulação excessiva da campanha eleitoral, com proibições até de fazê-la em estádios de futebol, engessará o processo que já está marcado pela apatia e o desinteresse. Cabo eleitoral que vai a um campo de futebol para distribuir volantes, ''santinhos'' e qualquer tipo de propaganda comete erro idêntico ao de um outro que o faça num concerto ou num teatro ou até mesmo numa biblioteca. Será tratado, antes de tudo, como um chato, um xarope.
EPIGRAMA Requião decidiu não renovar o convênio com a prefeitura na questão das multas pelos radares. Por que também nesse caso demorou cair a ficha?
FOLCLORE Outro dia, na votação do projeto mandrake de Hermas Brandão para acertar contratos no Porto de Paranaguá, o empresário Guilhobel Camargo aplaudiu os votos da oposição e prometeu, em voz alta, agir contra a medida se Requião não a tivesse vetado. Nos anos 50, Gamaliel Bueno Galvão dirigiu-se ao presidente do Legislativo, Antonio Anibelli, pai do Anibellinho, e pediu-lhe um aparte gaguejante para chamá-lo de ''tra-tra-traidor fi-fi-filho da mãe''. Gamaliel também era do PTB como Anibelli e se imaginou deputado ao pular do reservado da imprensa para o plenário.





