LUIZ GERALDO MAZZA
Estagnação, nada mais
A eleição de Curitiba parece estar sendo disputada em areia movediça: quanto mais os candidatos se esforçam para sair da armadilha mais tendem a afundar. Enfim não saem do lugar. Praticamente foi o que revelou o Ibope da RPC de ontem. E é também uma comprovação de que o público está apático e próximo da catatonia em torno de uma eleição que oferece alternativas lamentáveis para a cidade.
Na verdade houve queda de Vanhoni, discreta, mas visível, em relação à mostra anterior que se processava em mais de um cenário. Outra coisa: Vanhoni e outros candidatos, à exceção de Beto Richa, têm mais pontos de rejeição do que de adesão na estimulada. A rejeição de Vanhoni é de 32% e a aprovação de 26%, a de Beto Richa é de 21% e o apoio de 22%. Os demais também são mais rejeitados do que apoiados; Mauro Moraes 15 a 9, Rubens Bueno 9 a 8, Osmar 11 a 5. O eleitor está próximo da náusea, o que prova que é consciente e bastante politizado.
Rubens Bueno festeja o fato de ser menos rejeitado dentre os tidos como principais candidatos. Tudo isso é muito precário: a amostragem, embora feita de forma científica quanto à estratificação sócio-econômica, é de escassa representatividade (406 eleitores num universo de 1.179.223) e leva a uma margem de erro de quase cinco pontos, o que fica próximo da advinhação.
Curitiba e o Paraná não merecem opções como as colocadas e as reações do público, nas pesquisas, mostram que o ceticismo é virtuoso. Na espontânea, afinal a que se aproxima da chamada intenção consolidada, 73% estão entre os que votam em branco/nulo ou não opinam (55%).
Candidatos precisam de algo mais do que a alquimia dos marqueteiros. Além de cursos intensivos sobre problemas atuais da cidade e da metrópole, carecem de capacidade para traduzir, de forma compacta, o que pensam e sem repetir as basbaquices costumeiras de suas preocupações com os 400 mil pobres, o que dá, desde logo, a impressão de que pretendem implantar o Estado albergue, uma empulhação sórdida que uma pessoa de mínimo senso não pode assimilar até porque a exploração da miséria é sistematicamente um clichê desonesto e tão vago como a bobeira do ''Fome Zero'' de Lula que não sai do lugar.
REQUIÃO NA OFENSIVA Duas jogadas do governador ontem indicam que vai criar intensamente fatos políticos e administrativos para influir no pleito. É o caso da notícia da redução em 30% do pedágio na Rodovia das Cataratas. Algo parecido com o ocorrido com a ''Caminhos do Paraná''. Essa só ganhou, pois teve o direito de explorar o pedágio entre Araucária e Lapa, que não pôde em um ano fazê-lo por causa da pendência, e ainda por cima ficou desobrigada de investimentos previstos em contratos. Semana antes dessa notícia houve intensa especulação em torno de um lobista que teria se aproximado dos dirigentes da concessionária das Cataratas. Argumenta-se que de fato o retorno dessa via é baixo em função da densidade de tráfego.
Cobrado como incoerente por ter combatido a ''indústria das multas'' e haver prometido não renovar o convênio entre Detran e Diretran, o governador decidiu ontem não renovar essa relação pactual. Isso se dá num momento em que pelo menos dois candidatos, Beto Richa e Mauro Moraes, propõem o fim dos radares e a sua substituição por lombadas eletrônicas. De qualquer forma vale examinar por que ao longo desses 18 meses de gestão o governo paranaense, que tanto se empenhara nessa luta, deu cobertura logística às multas.
FOLCLORE Já se disse que o curitibano é uma esfinge disposta a decifrar quem tenta devorá-lo. Um dos pontos da pesquisa eleitoral confirma isso: governos estadual e municipal aparecem bem cotados (o estadual um pouquinho melhor do que o curitibano) e distanciados do federal. Taniguchi tem 33 pontos de bom-ótimo e Requião 39%. Lula tem 29%. O curitibano pode devorar os candidatos.





