Acordos brancos

Nas últimas campanhas eleitorais para o governo tivemos acusações cruzadas entre Alvaro Dias e Requião de ''acordo branco''. Para eleger-se com a máxima facilidade, Requião, ao perceber que perdia pontos no Ibope quando se aproximava de Alvaro, fez a campanha solo para o Senado; no repique, Alvaro teve garantida a sua vitória à Câmara Alta entregando Requião às feras.
Qual tipo de ''acordo branco'' poderia sair numa campanha municipal. Para os mais persistentes e radicais em suas demandas, como o jornalista Cândido Gomes Chagas, dá para presumir que possa assim ser tratada a forma como o Detran, do governo estadual, se acerta com a Ciretran, do governo municipal, a questão das multas de trânsito pelos radares. A insistência com que o jornalista bate no tema, há tanto tempo, vai recrudescer na edição da ''Paraná em Páginas'' de agosto na qual uma reportagem documental de todo o escândalo que Requião e o PMDB armaram em cima do assunto, buscando providências na Justiça e Polícia Federal, na tribuna do Senado e nas promessas de que romperia qualquer convênio nesse sentido com a Prefeitura de Curitiba.
Na cola do jornalista veio o próprio PMDB municipal, via Doático Santos, fazendo abaixo-assinado, que pretende colher 30 mil assinaturas contra a instalação dos novos radares. Isso não passa de dissimulação e a única postura verdadeira que caberia seria o rompimento de qualquer ajuste. Também no vácuo vieram os candidatos a prefeito, Beto Richa e Mauro Moraes, embora numa outra direção: ambos querem a substituição dos radares por lombadas eletrônicas.
Como se vê, seja qual for o andamento que se der ao tema, pode haver de tudo, menos ''acordo branco'' até porque um semáforo é rico em fatores diferenciais com as cores verde, amarelo e vermelho. Não se trata de algo tão constrangedor que obrigue o governo a sentir-se num ''pacau de bico'' e a denunciar o acordo que já habituou tanta gente dos órgãos estadual e municipal e das vítimas das numerosas multas, mas dá para criar algum constrangimento, posto que não tenha sequer a força de uma escorregada do tipo havido com a Procel ou de denúncias retumbantes de Caixa 2.
ESQUELETOS - Na retirada de esqueletos do armário, relativas ao golpe militar, há agora em foco o ocorrido com o ''Licas'', prefeito de Borrazópolis, por três períodos, pressionado para que renunciasse e como reagia teria sofrido um sequestro simulado e conduzido a instalações militares de Apucarana, onde foi seviciado e acabou, em função dos sofrimentos lhe impostos, assinando a sua renúncia. Esse relato está, desde janeiro deste ano, na Comissão de Indenização de Ex-Presos Políticos. ''Licas'', cujo nome é Ildefonso Sena Filho, é um desses esqueletos. Falecido em 1993, a viúva, Suzana de Souza Sena, está se habilitando em nome da família a um pedido de indenização.
O poder político dos militares era exercido não apenas nos grandes centros, mas também em cidades pacatas como Borrazópolis.
BIZARRICE - Como está difícil escolher o mais inteligente dá para classificar o mais feio dos candidatos, o mais ''vaselina'', o mais suburbano, o mais cara de pau. Em cima dessas qualidades há gente fora de concurso.
AXIOMA - Se oceano é rio, lagoa é hidromassagem. Na metáfora vale tudo e espirro vira tempestade.
GLOSA - É tempo de desconfiança geral e isso não poupa candidatos, partidos e muito menos os institutos de pesquisa.
FOLCLORE - Nada mais ridículo do que jornal de campanha eleitoral: terminado um debate todos afirmam que o ganhador foi o do seu grupo. No debate de Curitiba todos perderam. Condição básica de candidato é essa mesmo: não ter o mínimo senso do ridículo. Uma fração mínima e será suficiente para sair de campo.

mockup