LUIZ GERALDO MAZZA
Enfim o debate
Finalmente hoje à noite é possível que saiamos da inércia em relação à campanha eleitoral, tão fria quanto a temperatura, em Curitiba, com o primeiro debate na Band. Os que ainda têm militância (aspone, comissionado em cargo público, mercenário não vale) tentaram demonstrá-lo ontem, como já haviam feito de forma decepcionante na semana anterior. Muita zoeira, bandinhas, som de altofalantes, carreatas sem graça, como sempre, marcaram a liturgia.
A camisa de força desses debates, sejam os nossos ou mesmo os dos ''esteites'', é brochante. Aquela sequência de direito de resposta, a preocupação em aplicar e em não cair em ''pegadinhas'' deixa tudo muito chocho. Como o que prevalece é a mentira e a dissimulação, em qualquer hipótese, quer nos programas formais ou nos debates, o público fica numa ansiedade compulsiva à espera de um saque de inteligência ou ironia, de alguma frase inspirada e acaba frustrado como num jogo de futebol de 0 a 0 com os dois times enrolando no meio campo.
De qualquer forma o debate é melhor do que a empulhação dos programas dos partidos no horário gratuito pela circunstância elementar de colocar os candidatos um à frente do outro e permitir ao eleitor uma aferição menos pasteurizada. Normalmente quem está bem na frente não quer o debate. Isso tem acontecido em pleitos nacionais e locais. Da mesma forma os que nada têm a perder e que contam com espaços restritos na partilha do horário apostam tudo nesse tipo de oportunidade.
Em princípio, num debate como esse, o Rubens Bueno tem o ''handcap'' de um estilo que foi bem sucedido na campanha de governador. Apareceu, até pelo que falou, como o ''diferenciado'' e isso acabou traduzido em votos. Os que correm mais riscos são justamente os que ponteiam as pesquisas, a saber Vanhoni e Beto Richa, embora essa liderança decorra da sondagem estimulada, já que quase 70% revelam pouco interesse pelo pleito.
Como audiência de televisão aos domingos é notoriamente um ''abacaxi'', ainda mais depois das emoções da Copa América entre Brasil e Argentina, pode ser que o debate emplaque e tire o público finalmente da catatonia em que se encontra, justificável num momento em que esperanças fortes se tornaram voláteis com as consequências do último pleito.
ESCOLARIDADE O teste de escolaridade para vereadores e prefeitos está dando margem a muita polêmica. Há quem conteste, pela forma como as provas estão sendo feitas, a sua constitucionalidade. E já houve liminar concedendo ao candidato o direito de não se submeter ao exame. Mas não apenas juristas estabelecem restrições. Educadores e pedagogos acham que se faz confusão entre o analfabeto e o iletrado que têm pesos diferentes. Um dos analfabetos, aquele que se recusou a fazer as provas e com apoio judicial, é o maior empresário da região nordestina em que atua, prova de discernimento.
Há posições radicais que indicam como suficiente o pedido de inscrição do candidato, o que entra em choque aberto com a interpretação extensiva que se está concedendo às instruções normativas.
Aqui no Paraná, na comarca de Paranacity, município de Jardim Olinda, houve o caso de reprovação de um vereador que já cumpriu oito mandatos, há mais de 30 anos legislando, e cujo telefone é um ''orelhão'' público, prova de que amealhou muito pouco em tantos anos de labuta parlamentar e para muitos, ainda mais no Brasil, que ocupa papel destacado no ''ranking'' da corrupção, um sinal de rara e extrema sobriedade, valor mais alto do que a escolaridade.
FOLCLORE Quando o deputado Miran Pirih, iugoslavo de origem, teve seu mandato questionado por não ser brasileiro nato, um adversário citou Pontes de Miranda como perfilado aquele entendimento. Com seu sotaque, o deputado não deixou por menos: ''Esse Pontes de Mirranda fofoquerro''.





