Uma questão hamletiana

Sugere-se nos bastidores que haveria um choque incontornável de estilos entre Requião e Duda Mendonça, condutor da campanha vitoriosa de Lula e que toca a de Vanhoni. Uma espécie de resistência do governador, como eleitor principal, já que em Curitiba supera Lula de longe, a de ajustar-se a um papel acomodado e de participante ''soft'' da pregação é questionada.
Dá para imaginar o nosso governador, em quem Alvaro Dias viu um Bussunda, outros um Napoleão, transfigurado no príncipe de Elsinor, o Hamlet, a declamar o ''ser ou não ser'' no castelo e a conversar nas sombras com o fantasma do pai. Numa certa perspectiva, o governador até não deixa de ter razão: não vai dar para suportar novamente o Vanhoni adocicado e pasteurizado a recusar-se a fazer análises mais profundas e apropriadas sobre a herança da dinastia Lerner na vida curitibana e metropolitana. Pior ainda: o marketing de Vanhoni era, no pleito que emparelhou com Taniguchi, quase igual ao do lernerismo, já que nele a forma é o próprio conteúdo. Há quem acredite que isso foi pior do que o caixa 2 na condição de gol contra.
Para tudo, no entanto, é preciso senso de medida. Tanto na postura mais à direita e conservadora de Duda Mendonça quanto na de possível furor do nosso governador. Bater demais leva a pior, afrouxou em excesso ''dança'' também. É uma questão de dosagem.
Há quem diga também que o governador estaria à procura de um pretexto para não se envolver não apenas no pleito de Curitiba como também naqueles em que o PMDB enfrenta o PT, caso de Londrina, por exemplo. A referência a estilos seria a justificativa para poupar-se. Em política versões substituem os fatos.
BIZARRICE O PMDB denunciou sempre como anômala a terceirização de automóveis por arrendamento e a continuou praticando justamente por Requião que mais a condenava. Da mesma forma, o caso das multas eletrônicas que o Detran legitima em favor da Diretran. Houve denúncia no Senado, na Polícia Federal, tudo via Requião. E agora, tentando sugerir alguma reação, o PMDB protesta contra os novos pardais eletrônicos para dissimular o consórcio Requião-Taniguchi.
AXIOMA O senador Flávio Arns quer uma CPI para investigar a ALL. Por que não faz as coisas pelo atacado mandando apurar o papel de todas as agências reguladoras? Depois da espionagem em cima do governo Lula pelas teles é hora de reagir seriamente.
GLOSA PMDB-PT lembra o PDS quando elegeram Richa: tenta melar junto ao BID o apoio ao ''Eixo Metropolitano'' tal qual se tentou fazer em 1983 com projetos internacionais nos quais buscaram passar a fiscalização para a Sudesul. Queriam passar por antípodas quando são simetricamente iguais.
EPIGRAMA Se temos tanta segurança por que mais carros blindados oficiais?
FOLCLORE Na agenda dos candidatos a prefeito é possível observar que não poucos deles fazem marchas pelo calçadão. Se andarem estudando e refletindo estarão seguindo a peripatética de Aristóteles que pregava a busca do saber pelo caminhar. Pode, no entanto, ser coisa patética ou até de pateta.
CROMO O vestígio da boca no copo e a sensação inútil do beijo à traição.
AFORÍSTICO Só falta agora sugerirem ao governo estadual que o milho retirado do acidente ferroviário da serra é para marcar cartela de bingo. Essa enlouquece muita gente porque vira prioridade estratégica.
VINHETA O Paraná é o número um na exportação de frangos e isso bem antes daquele vexame do goleiro Júlio Cesar no gol dos uruguaios.
EQUAÇÃO No passado ficou famosa a afirmação de que o general Mário Gomes teria feito desaparecer os perus da Granja do Canguiri. Agora são os cavalos.

mockup