LUIZ GERALDO MAZZA
Acordo com catarinas
Há uma possibilidade de acordo entre Paraná e Santa Catarina na questão de limites relativos ao mar territorial e aos possíveis ganhos em ''royalties'' na exploração de petróleo da Bacia de Santos. Juridicamente o jogo estava perdido. Sempre achei que não fizemos a mobilização necessária até porque o Paraná vive uma fase de obscuridade, apesar de iniciativas como a de Gustavo Fruet para fixar em lei novos critérios que preservassem nossos interesses.
A iniciativa de Requião de discutir com seu colega e correligionário de Santa Catarina, Luis Henrique, a possbilidade de um acordo é elogiosa e mais ainda a disposição, revelada pelo governo daquele estado, em admiti-la. Reação haverá contra a concessão, já que a vitória catarinense tinha tudo para repetir o havido no Contestado, quando perdemos imensas faixas territoriais.
Quando da escolha do ponto ideal para a refinaria da Petrobras, que acabou em Araucária, também houve essa emulação. A solução política foi a de abrir um porto para receber o petróleo em São Francisco, na área da Enseada. Depois Paranaguá ganhou também um terminal. Levamos, portanto, a melhor como se daria por fatores logísticos na implantação das montadoras nas quais os catarinas nos dariam um banho em malhas produtivas. Nessa não podemos ser arrogantes.
BIZARRICE Um despropósito a série de interpretações sobre a ''promoção'', em termos hierárquico-salariais, de dona Maristela, a primeira dama. Fichinha perto das prebendas das esposas dos ministros com mínimo de R$ 14 mil.
AXIOMA MST desfila na cidade. Quem ganha e quem perde com isso na eleição? Atacar sem-terra tira votos, mas bajulá-los e apoiá-los também.
GLOSA Aí o candidato a vereador, que prestou exame de escolaridade, estava revoltado: ''Esses caras pensam que sou um Einstein, perguntando seguido, uma em cima da outra, ''dois vezes dois, três vezes três, quatro vezes quatro''.
VINHETA No primeiro trimestre de 2003 o Paraná gerou 54 mil empregos, média de 18 mil ao mês. Depois a estatística foi caindo para menos da metade. Neste semestre tivemos 94 mil, média de menos de 16 mil. Outro feito: o Paraná como segundo maior exportador do país (US$ 4,7 bilhões) no semestre. Esses feitos são de todos os governos e mais do primeiro do que do segundo governo Requião.
Governo é continuidade, embora o esforço de todos para se apropriarem de todas as estatísticas, principalmente as positivas. Nas sociais continuamos devendo. O mais positivo do governo atual está nas medidas fiscais de Heron Arzua e que isentaram empresas e baixaram o ICMS aumentando o seu poder de competição.
EPIGRAMA O governo recuou no aumento da contribuição patronal. Mas é preciso ficar atento porque o cabrito quando recua é justamente para ganhar fôlego e força para a marrada fatal. Para quem está à beira do precipício é fogo.
FOLCLORE O Tribunal de Contas desaprovou as contas, por unanimidade, da Urbs do exercício de 1997. Outro dia, depois de uma novela, considerou boas as contas da gestão de Rafael Greca de 1996. Por que tanto tempo se o Rafael Iatauro deu uma dura, outra dia, em cima do jeitinho legislativo que Hermas Brandão aprontava para normalizar irregularidades no Porto? Quem sabe essa forma de agir, imediata e de bate pronto, ainda que um tanto quanto com jeito de alternativa, seja mais eficaz do que rituais e salamaleques. Dá a impressão de desagradável moleza ou até de má intenção em tanta demora.
CROMO O rio é um cadáver insepulto, mas a ressurreição é possível. É o que parece murmurar entre entulhos de plástico e metal.
AFORÍSTICO Será que todos os candidatos a prefeito passariam nos testes de escolaridade a que os vereadores são submetidos?





